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Brasil, um país sem memória no Dia da Vitória, por Helton Costa

Brasil, um país sem memória no Dia da Vitória, por Helton Costa

08 maio 2012 - 16h07
Divulgação (TP)

Hoje deveria ser um dia de comemorações. Mas, só deveria, assim mesmo no condicional. Explico: hoje, 08 de maio, é comemorado na maioria dos países que têm como costume de preservar sua memória, o Dia da Vitória. Foi nessa mesma data que em 1945 terminava a Segunda Guerra Mundial na Europa.


Sim, o Brasil esteve lá. Fomos representados por 25 mil soldados e algumas dezenas de pilotos de caça e centenas de marinheiros. Nosso país também contribuiu para a derrota de Hitler e Mussolini. Quase 100 sul-matogrossenses estiveram lá na guerra, que no caso brasileiro foi o front italiano.


Enviados em julho de 1944, os soldados da Força Expedicionária Brasileira – FEB estiveram em luta constante contra os Exércitos Nazistas e Fascistas até maio de 45. Não se pode dizer que o Brasil foi a principal força no front italiano, porém, foi a que mais deixou marcas da amizade e do bom convívio.


Estive na região de atuação dos brasileiros na “Velha Bota”. Senti o mesmo frio que eles tiveram que enfrentar, subi Monte Castelo, conheci Montese, passei por Collecchio, alguns locais onde os brasileiros deram a vida em combate. Mas, o que mais me chamou a atenção foi a quantidade de monumentos em homenagem aos soldados brasileiros.


Encontrei placas, estátuas, memoriais e lembranças de agradecimento do povo italiano. E no Brasil? Bom, não preciso nem dizer que raras as exceções, não há nada que lembre a vitória sob os alemães. Fomos o único país da América Latina a enviar soldados para a Segunda Guerra, mas, são raríssimas as recordações desse tempo, tão importante para a consolidação da democracia no país e que quando acontecem, ficam restritas à quartéis militares.


Tudo bem que 20 anos após a guerra entramos em uma nova ditadura (antes era a de Getúlio Vargas, depois dos militares), mas a culpa não foi da FEB, que foi sem dúvida muito importante para seu tempo e também para o nosso. Ainda há soldados vivos. Sim, em Dourados são dois e em Campo Grande mais uns cinco ou 10.


Como brasileiro, só lamento que nosso país não dê valor à sua memória. É triste ver que não há políticas de governo nas esferas municipal, estadual ou federal para a preservação do patrimônio material e imaterial. É como se o passado tivesse que ficar restrito aos museus, se bem que nem os museus recebem a importância que merecem.


Enquanto brasileiro, só posso prestar minha homenagem individual e torcer para que essa geração que em breve assumirá o poder no país trabalhe para resgatar o que os atuais governantes têm se mostrado incompetentes em fazer: preservar a memória!


De toda forma, parabéns ao Brasil, à FEB e em especial aos sul-matogrossenses de nascimento ou adoção que lutaram contra o nazismo e o fascismo. Sem sua luta e de exércitos de outras nações livres, talvez hoje estivéssemos vivendo como “escravos” das ideologias hitleristas e de seus apoiadores. Se nem todos se lembram de vossa luta, é porque “isso aqui, ô ô, é um pouquinho de Brasil iá iá...”.


#Helton Costa é jornalista, especialista em Estudos da Linguagem e mestrando em Comunicação Midiática, além de um apaixonado pela participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial.

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