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Depoimentos de testemunhas apontam detalhes sobre morte de jornalista no Maranhão

Depoimentos de testemunhas apontam detalhes sobre morte de jornalista no Maranhão

02 maio 2012 - 12h45
Uol

Três depoimentos de testemunhas que viram o assassinato do jornalista Décio Sá, morto a tiros no último dia 26 em um bar na orla de São Luís, foram publicados na internet, sem autorização.

A autenticidade dos textos, publicados por um blog maranhense, foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) nesta quarta-feira (2). O vazamento ocorreu seis dias após a polícia determinar sigilo absoluto nas investigações.

Segundo a assessoria da SSP, os documentos têm carimbos da 1ª Vara do Tribunal do Júri, o que apontariam para um vazamento pela própria Justiça, e não pela Delegacia de Homicídios, onde o caso está sendo investigado. Os documentos vazados tiveram os nomes dos depoentes apagados.

Os depoimentos que vazaram trazem detalhes do crime, cometido por um homem que entrou só no bar e efetuou os seis disparos que mataram o jornalista no local.
Em um dos trechos do depoimento, há relato de que Décio Sá ainda pediu para não ser assassinado.

Nervoso
“Ei, rapaz! O que é isso? Não faz isso!”, consta no depoimento, complementando que, após os disparos, o autor atravessou a avenida Litorânea e subiu em uma moto que já o aguardava para a fuga.

Sobre as características do acusado, uma das testemunhas citou que ele tem fisionomia indígena ou boliviana, cabelo preto e é de baixa estatura. O assassino, que estaria nervoso, entrou no bar descalço e sempre olhava para baixo e para os lados.

Ainda nos depoimentos, há divergência de dados. Um dos depoentes, por exemplo, disse que a moto que o aguardava era preta. Já outra pessoa que falou à polícia afirmou que se tratava de uma moto vermelha.

Os depoimentos teriam sido enviados à Justiça, já que, por se tratar de um homicídio e haver pedido de prisão de suspeitos, os documentos comprobatórios têm de ser enviados para acompanhamento e autorização judicial.

Ainda segundo a SSP, o vazamento prejudica as investigações e põe em risco as testemunhas que prestaram os depoimentos. “Já havia uma dificuldade em encontrar pessoas que viram o crime.

Apelo
Na sexta-feira, o secretário [Aluísio Mendes] fez um apelo para que essas pessoas comparecessem, que garantiríamos a preservação da identidade. Agora, com esse vazamento, se torna mais difícil”, disse a assessoria do órgão.

Por não ter vazado pela polícia, a SSP informou que não deve ser aberto procedimentos de investigação sobre a publicação dos documentos. “Mas o secretário deve se reunir com a presidência do TJ [Tribunal de Justiça], já que é um parceiro da secretaria na investigação”, afirmou.

O UOL procurou a assessoria de comunicação do TJ-MA, foi informado que a presidência ainda não havia se pronunciado sobre o caso e não havia mais informações sobre o episódio.

Nesta terça-feira (1), familiares e amigos realizaram uma passeata, na avenida Litorânea. Eles cobraram elucidação do crime e pediram o fim da violência no Maranhão.

Prisões
Também na sexta-feira, a SSP informou que a Justiça do Maranhão decretou a prisão de dois suspeitos da participação no assassinato do jornalista. Segundo o secretário de Segurança Pública, Aluísio Mendes, os detalhes que levaram aos pedidos de prisão e os nomes dos suspeitos não serão repassados até que existam provas contra eles.

“Outras pessoas já foram conduzidas à polícia para serem interrogadas e estamos investigando. Evidente que se solicitamos a prisão preventiva dessas pessoas, acreditamos que elas tenha alguma participação. Mas ainda não existe nada comprovado”, afirmou, dizendo ainda que Polícia Federal está colaborando com as investigações.

Por conta da divulgação de informações e especulações na imprensa, o secretário informou que não serão mais repassadas informações sobre as investigações do caso. “Temos inúmeras provas técnicas, que estão sendo analisadas ao mesmo tempo, precisamos de tranquilidade para as oitivas e comprovação da perícia. Essa vontade da imprensa de colher informações tem comprometido o trabalho dos profissionais”, disse o secretário.

“Por isso, vamos decretar sigilo das investigações. Quando tivermos algo concreto a ser repassado, chamaremos os jornalistas para divulgar. Qualquer informação agora compromete a investigação. Estamos sofrendo com informações de desencontradas.”

Para a polícia, o caso é tratado como complexo e de difícil elucidação. “É um quebra-cabeça de 22.700 itens que está sendo analisado. É um crime complexo, e qualquer divulgação de informações pela imprensa é prejudicial.”

O caso
O jornalista estava sozinho em um tradicional bar da avenida Litorânea, em São Luís, quando um homem se aproximou e disparou seis vezes, acertando quatro tiros em sua cabeça e dois nas costas. Ele morreu no local.

Décio Sá trabalhava no jornal "O Estado do Maranhão" --pertencente à família Sarney-- e escrevia em um blog famoso por informações de bastidores da política no Maranhão. Ele também trabalhou no jornal "O Imparcial" e chegou a ser correspondente da "Folha de S.Paulo" no final dos anos 90. O jornalista deixa mulher e um filho de 8 anos.

O presidente do Sindicato dos Jornalistas do Maranhão, Leonardo Monteiro, disse que Décio relatava constantemente ameaças e disse que costumava dar conselhos ao blogueiro. “Eu sempre dizia a ele que tivesse cuidado, não se expusesse. Ele tinha um blog muito reconhecido aqui no Estado, e que fazia muitas denúncias”, afirmou.

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