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Deputados confirmam que André manda na Assembleia e pune quem não o atende

30 abril 2012 - 09h57Por Midiamax
Um dia depois do desabafo do deputado estadual Diogo Tita (PPS), colegas de Casa confirmaram que o governador André Puccinelli (PMDB) manda na Assembleia Legislativa e é impiedoso com quem não atende suas orientações. Eles, no entanto, enfatizaram que nem todos aceitam de cabeça baixa as ordens, mas a maioria realmente seguiria a risca as determinações. Teve parlamentar que amenizou o impacto das declarações de Tita dizendo que o governador, como chefe do Executivo, apenas influencia nas decisões da Casa de Leis. Outros garantiram ter relação de respeito com André, sem conviver com ameaças de retaliação.

“Desde primeiro de fevereiro de 2007, quem manda aqui é o governador”, disse o deputado Marquinhos Trad (PMDB). “É ele quem decide quem fará parte da Mesa Diretora, é ele quem escolhe os conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Todos, inclusive, já sabem que o Osmar Jeronymo (secretário estadual de Governo) será um dos próximos conselheiros. O tempo vai provar isso, podem esperar”, acrescentou.

O deputado Lauro Davi (PSB) concorda com Marquinhos. Para ele, o poder do governador se deve a uma relação de dependência que existe com a maioria dos parlamentares. “Um conjunto de pessoas não sobrevive sem as bênçãos do André e, como essa dependência é muito grande, gera essa situação”, frisou. “Ainda bem que conquistei meu mandato através da independência”, comemorou.

Para Lauro Davi, um dos motivos dessa relação é o fato de ter “deputado que não sabe e nunca fará oposição seja qual for o governo”. “Isso alimenta essa sobrevivência política com o Executivo”, acrescentou. “E esses caciques vão continuar aqui porque controlam diretores da Sanesul, Detran e até de sindicatos”, comentou.

Para Marquinhos, a relação também ocorre por conta da própria legislação estabelecer a dependência financeira dos outros poderes com o Executivo. “Todo ano é preciso discutir dinheiro e bater na porta do governo para garantir a sobrevivência”, enfatizou. “Cabe ao eleitor acompanhar as coisas e ver quem é quem”, sugeriu.

O petista Pedro Kemp também enxerga em André um homem dominador e impiedoso. “O governador é cruel, ele tem essa forma de agir impondo as coisas e joga pesado com a base dele”, disse. Para o deputado, a mesma prática André adota com o PMDB. “Dentro do partido dele quem manda é ele, haja vista a escolha do (Edson) Giroto para disputar a prefeitura da Capital”, completou.

Marquinhos também confirmou observar em André disposição em punir quem não o atende. “Vide a minha história aqui”, comentou sobre o fato de ser o deputado estadual mais votado do Estado e não ter espaço no partido e nem na Assembleia por questionar certas atitudes do governo. “O tratamento é diferenciado para quem o segue e quem o contesta”, pontuou.

“Ele não manda, mas tem influência”

A frase é do líder do PMDB na Assembleia, deputado Eduardo Rocha (PMDB). Para ele, é natural o governador exercer influência na Casa de Leis. “Nós somos sua base aliada, somos um grupo só”, explicou.

Apressado, o líder do governo na Assembleia, deputado Júnior Mochi (PMDB), também confirmou influência de André nas decisões da Casa de Leis. “Ele tem influência porque tem parceiros”, frisou. Sobre a crueldade do governador, ele disse tratar-se de “posição pessoal do Tita”.

“Respeitamos o governador e ele nos respeita”

O deputado Márcio Monteiro (PSDB) afastou manifestações de desrespeito por parte de André e garantiu que na Assembleia impera o regime democrático brasileiro. “Vivemos em um processo democrático e respeitamos o governador e ele nos respeita”, declarou. “O resto é opinião do Tita”, emendou.

Alvo de recente ameaça, professor Rinaldo Modesto (PSDB) considerou natural o fato de o governo exercer poder na Assembleia. “É natural porque ele tem a maioria aqui”, disse, esquivando-se de mais perguntas. Diante do projeto de candidatura própria do PSDB na Capital, André chegou a discutir com o secretário de Habitação e Cidades, Carlos Marun (PMDB), a possibilidade de retorno à Assembleia para tirar da Casa o primeiro suplente do secretário, professor Rinaldo.

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