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Ex-UFC é diagnosticado com demência e reabre alerta a danos cerebrais

Ex-UFC é diagnosticado com demência e reabre alerta a danos cerebrais

15 fevereiro 2012 - 16h30
IG

O UFC nunca teve que lidar com nenhum trauma fatal. Porém, um de seus ex-atletas terá que enfrentar um sério problema de saúde decorrente das lutas. O canadense Gary Goodridge foi diagnosticado com “demência pugilística” devido aos golpes que levou ao longo da carreira, o que abriu uma nova polêmica sobre a violência dos esportes de combate.

Também conhecida como “encefalopatia traumática crônica do boxeador”, a doença é comum em atletas que sofrem traumas, como pugilistas e jogadores de futebol americano e hóquei no gelo.

De acordo com o médico Oscar Bacelar, membro da Academia Brasileira de Neurologia, a doença era muito comum até os anos 80, atingindo até 15% dos boxeadores profissionais na época.

“A síndrome pugilística ficou muito conhecida com o Muhammad Ali, que desenvolveu a parte parkinsoniana. Ela acontece por microtraumas decorrentes dos socos. Eles podem gerar vários sintomas como declínio mental, problemas de memória, de linguagem e parkisionismo”, explicou Bacelar antes de ressaltar que a única prevenção existente é não levar os golpes na cabeça.

Gary Goodridge teve uma longa carreira no kickboxing antes de entrar no MMA. Ao todo, ele teve nada menos do que 85 lutas e foi nocauteado 24 vezes. Além disso, teve derrotas para brasileiros como Pedro Rizzo e Rogério Minotouro. O lutador de 46 anos estava aposentado desde dezembro de 2010.

“Quando você recebe uma notícia assim, você tem que lidar e viver com ela. Não há tratamento, apenas pílulas que retardam o processo”, afirmou o atleta radicado no Canadá ao site MMA Weekly.

“A maioria dos traumas veio do K-1 [maior torneio de kickboxing do mundo]. O MMA não teve importância, pois quase não tem golpes na cabeça. 90% nas minhas lesões vieram do K-1, que não tem anda além de golpes na cabeça várias e várias vezes”, completou Goodridge.

O problema do lutador reabriu as conversas sobre os danos do MMA à saúde dos praticantes. Os atletas recebem menos golpes na cabeça ao longo dos treinos e combates, mas a proteção das luvas do antigo vale-tudo são menores que as do boxe.

“Essas lesões são características dos pugilistas, que podem receber mais de 150 golpes na cabeça em uma noite. Mas é claro que seria melhor se a proteção para os atletas de MMA fosse melhor. Eles poderiam usar joelheiras e cotoveleiras, por exemplo”, concluiu Bacelar.

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