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Incra tenta reverter despejo de brasiguaios acampados em rodovia

18 abril 2012 - 10h35Por CG News
O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) está em negociação para reverter o despejo dos brasiguaios acampados às margens da BR-163, em Itaquiraí, ou conseguir um local para remanejar as 400 famílias.

O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) obteve liminar para liberação da faixa de servidão no entorno da rodovia e o prazo vence amanhã. Ontem, o grupo bloqueou a BR por 6 horas, provocando congestionando de 10 km.

Entretanto, como pano de fundo, a questão é ainda mais preocupante. “Temos que pensar no futuro dessas famílias. É uma situação grave, são brasileiros como nós, precisamos achar essa solução”, afirma o superintendente do Incra, Celso Cestari.

O fluxo migratório dos brasiguaios para a região Sul do Estado foi deflagrado em 2010. Na bagagem, relatos de agressões e expulsões. Eles disseram que as terras estavam sendo invadidas por paraguaios, insatisfeitos com a presença brasileira na região. Em Itaquiraí, o grupo se juntou a um acampamento do MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra), formando um enorme povoado às margens da BR-163.

“Já estive no DNIT, com o MST e na quarta-feira vou ao acampamento”, afirma Cestari. De acordo com o superintendente, a liminar judicial que proíbe a compra de novas áreas para a reforma agrária impede a aquisição de terras para assentar as famílias.

Em janeiro de 2011, a Justiça deferiu pedido do MPF (Ministério Público Federal) em Dourados e determinou, através de liminar, a suspensão de todos os processos de aquisição e desapropriação de imóveis para reforma agrária no Estado até a realização de levantamento. A decisão foi resultado Operação Tellus, que revelou esquema de fraudes. A justificativa é que a retomada dos lotes irregulares sai mais barato do que novas aquisições.

Abril Vermelho - No mês que marca os 16 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, onde 19 sem-terra foram mortos no Pará, o MST intensifica as ações por todo o país.

Em Campo Grande, 200 pessoas montaram acampamento na superintendência do Incra, na avenida Afonso Pena. De acordo com Celso Cestari, prédio foi liberado ontem à noite, após rodada de negociações. Os assentados reclamam da falta de fomento para as famílias trabalharem.

A direção do Incra, por sua vez, reclama do contingenciamento de recursos por parte do governo federal. Para 2012, Mato Grosso do Sul tinha previsão de R$ 70 milhões, mas 30% do valor foi contingenciado. “Diminuíram o nosso orçamento. Ia entrar na Itamarati, fazer um levantamento geral, mas não tenho recurso para deslocar o pessoal”, afirma o superintendente. O Estado tem 11 mil famílias acampadas.

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