terça, 27 de fevereiro de 2024

Kawasaki Ninja 250R e Honda CBR 250R duelam pela primeira curva

Kawasaki Ninja 250R e Honda CBR 250R duelam pela primeira curva

04 junho 2012 - 15h25
Da Infomoto

Com a chegada da Honda CBR 250R, os iniciantes no estilo esportivo têm mais uma opção. Ela se uniu à Dafra Roadwin 250R e à Kasinski Comet GT 250R na guerra contra a Kawasaki Ninja 250 R, que inaugurou a categoria das mini-esportivas carenadas no Brasil em 2010. Por ser a novata, levamos a Honda CBR para uma disputa com a “veterana” Kawasaki, atual líder do segmento.

As duas têm muitas coisas em comum: são fabricadas na Tailândia e montadas em Manaus (AM); são as únicas oriundas de marcas japonesas e trazem sobrenome Racing. No caso da Kawa, o nome Ninja é sinônimo de esportividade, enquanto a sigla CBR também está associada às superesportivas da Honda. Em relação ao preço, a diferença é pequena: enquanto a Kawasaki é vendida por R$ 16.630, encontramos a Honda por R$ 16.300 (sem ABS), ambas em revendas de São Paulo.

As coincidências param por aí. Aliás, no quesito design, as motos são bem diferentes. A Ninja 250R é praticamente uma cópia em miniatura de suas irmãs mais velhas, com destaque para a carenagem integral, que abraça o moto pela parte de baixo do propulsor. A CBR 250R segue a mesma linha das motos de maior capacidade cúbica como, por exemplo, a VFR 1200F. Ou seja, é mais conservadora que o a Kawasaki.

SOB AS CARENAGENS
A grande diferença entre os modelos, porém, se esconde debaixo das carenagens. A Honda CBR 250R, com 249,6 cm³ de capacidade, usa motor de um cilindro, quatro válvulas, comando duplo, balancins roletados e refrigeração líquida. Sua potência máxima é de 26,4 cv a 8.500 rpm e seu torque máximo é de 2,34 kgfm -- disponível por inteiro a 7.000 rpm. Na Ninjinha, a conversa é outra: são dois cilindros paralelos que somam exatos 249 cm³ de capacidade, comando duplo e refrigeração líquida. Sua potência é de 33 cv a 11.000 rpm e o torque é de 2,24 kgfm, disponíveis às 8.200 rpm. Traduzindo: a Ninja 250 traz um motor que exige giro alto para mostrar o seu melhor desempenho.

Com receitas tão diferentes, as motos agradam a paladares distintos. Os amantes de curvas e de uma tocada mais esportiva se deliciarão com a Ninjinha. A moto da Casa de Akashi pede constantes reduções e o motor gira alto, sempre cheio. Já na CBR, o câmbio é menos utilizado, pois o torque se apresenta em giros mais baixos. Na prática, a Honda é uma moto mais “civilizada”.

TERRA DO LOBISOMEM
O roteiro escolhido mistura folclore e curvas, muitas curvas. O folclore fica por conta do personagem Lobisomem que habita a imaginação dos moradores da pacata Joanópolis, estância turística que fica a 115 quilômetros da capital paulista. Repleta de curvas e asfalto liso, a SP-036, estrada que dá acesso à cidade é um verdadeiro parque de diversões para os pilotos de final de semana -- e um lugar adequado para conhecer esse tipo de motocicleta “de entrada”.

As motos mostraram o potencial de suas ciclísticas em pouco mais de 20 km entre Piracaia e Joanópolis. A Ninja é mais esportiva e exige do piloto uma postura mais agressiva. Seu quadro em aço do tipo diamante (abraçando o motor) e o conjunto de suspensão trabalham de forma irrepreensível nas curvas. Os pneus IRC Road Winner, de perfil esportivo, colaboram com a sensação de segurança e permitem atacar as curvas com rapidez até o limite das pedaleiras. Já a Honda traz a mesma fórmula, mas com uma receita que dá o direito de contornar curvas rapidamente com melhor ergonomia. Ou seja, o desempenho das motos depende apenas da habilidade dos pilotos, pois sobra ciclística em relação ao desempenho dos motores.

Quem olha as duas de traseira percebe que o pneu da Honda é mais largo, na medida 140/70. Já a Ninjinha usa pneu 130/70. Ambas são equipadas com rodas de 17 polegadas em liga com desenhos esportivos. Os discos de freio estilo margarida destacam o visual da Kawasaki. E para apimentar ainda mais essa guerra entre desempenho e design, a Ninja leva vantagem em relação ao peso a seco: são 152 kg contra 154 kg da CBR.

Rodamos também na rodovia D. Pedro I, que liga Campinas a Jacareí, no Vale do Paraíba, onde o motor da Ninja se mostrou mais à vontade. Subindo de giro até passar dos 13.000 rpm, enquanto o ponteiro do velocímetro estacionava nos 150 km/h. Pelo retrovisor era possível perceber que a CBR ficava ligeiramente para trás marcando no velocímetro 144 km/h, mas bastava um pequeno aclive para as motos se nivelarem. Ou seja, a diferença em velocidade máxima não é um argumento tão forte a favor da Ninja, pois na prática, a CBR conseguia buscar.

NA CIDADE
Se a Ninja mostrou seu melhor desempenho na hora de contornar curvas e longas retas em superfície plana, na cidade a CBR expôs sua principal qualidade: a versatilidade. Sem exigir muitas trocas de marchas, a motocicleta da Honda permite que o piloto relaxe na tocada enquanto a moto se encaixa nos espaços entre os carros. Tem ainda a seu favor o lampejador de farol alto para avisar da sua chegada, item que falta na Ninjinha. Se a CBR vai bem na cidade, a Ninja mostra que essa não é sua praia. Nos congestionamentos, o piloto da Kawa precisa buscar o torque do motor. Essas trocas constantes cansam.

O formato dos retrovisores da Kawasaki é agressivo, mas sacrificam o campo de visão. Além disso, sua altura coincide com os retrovisores dos carros e exige cuidado nos corredores. Dessa forma, a mini-esportiva “verde” perde também em mobilidade. Para a reposição, o item custa R$ 250. A Honda foi mais “comportada” nesse quesito, buscando funcionalidade: o retrovisor elevado passa com facilidade nos corredores e oferece melhor campo de visão. Melhor ainda é preço da peça para reposição: R$ 90.

CONSUMO
Com a gasolina beirando os R$ 3 em alguns postos da cidade de São Paulo, o consumo pode ser um fator de decisão. E em duas medições, os números da CBR foram melhores. Na primeira avaliação ela contabilizou 30,94 km/l. Na segunda , incluindo o trecho urbano, passou para 32,76 Km/l. Na Kawasaki, a primeira medição foi de 23,71 km/l e a segunda melhorou para 25 km/l. Sim, a Honda bebe menos. Mas em autonomia, a vantagem fica para a Kawa, com seu tanque de 17 litros que permite rodar pelo menos 425 km ou ir de São Paulo ao Rio de Janeiro numa tacada só. Já a CBR tem tanque de 13 litros e chega a pouco mais 400 km. Neste quesito vitória apertada da Ninjinha.

Falando em tanque, a Kawasaki dá um banho na CBR. O desenho do bocal remete aos carros de competição. E além de bonito, prático. Outro diferencial é o formato do tanque de combustível, que oferece um melhor encaixe para as pernas do piloto, principalmente em uma postura mais esportiva. O bocal do tanque da Honda é bonito, porém sai na mão do piloto na hora de abastecer. Por outro lado, o escape da Honda é encorpado, bem acabado e com uma capa que protege piloto/garupa evitando queimaduras. O escapamento da Kawasaki é muito simples e não traz proteção.

PAINEL, GUIDÃO E ASSENTO
Ao assumir o comando da Kawasaki o piloto vai se perder no tempo uma vez que, ao contrário da CBR, ela não possui relógio, muito menos informações em display de cristal líquido. Outra falha é a ausência do marcador de combustível -- em caso de pouca gasolina, apenas uma luz dá o alerta ao piloto. Na verdade, o painel da Kawa não combina com a moto, lembra mais as clássicas esportivas do início dos anos de 1990 (sua iluminação âmbar não empolga o piloto e necessita de uma remodelagem urgente). Enquanto isso, a Honda desfila informações que vão da temperatura aos dois hodômetros (total e parcial) em display digital. Para não cansar o olhar, o painel da CBR traz fundo do mostrador na cor azul, que lembra até o utilizado no Honda Civic.

Enquanto o piloto da CBR 250R conta com o lampejador de farol alto, na Ninja 250R é necessário alterar de luz alta para baixa se quiser alertar sua presença. Há outras diferenças: o guidão da CBR permite a regulagem do ângulo de abertura (o que não é possível na Kawa), mas o acabamento é inferior ao da sua rival.

Com relação ao assento, o bom gosto da Kawasaki supera o espartano banco da Honda -- um tecido de melhor acabamento e aderência contra um tecido simples. Na Kawa, o banco é biposto e tem um minúsculo espaço sob o assento do garupa. Já na CBR o assento oferece dois níveis e ainda é possível encaixar documentos e pequenos objetos sob o banco, uma facilidade para compensar sua simplicidade.

OU SEJA...
Um ou dois cilindros, estilo radical ou tradicionalismo estético, esportividade contra conforto, razão contra emoção. A escolha entre a Kawasaki Ninja 250R e Honda CBR 250R é definida por aquela “pecinha” que será colocada sobre a moto, ou seja, o piloto. Em função do seu estilo de pilotagem, tipo de percurso e, por que não dizer, o status de ter um modelo que se destaca na multidão, o motociclista irá optar, na sua visão, pelo melhor produto.

O futuro comprador da Ninjinha deve gostar de um design mais agressivo, ser adepto de pilotagem mais arrojada, na qual tentará buscar sempre a melhor faixa de giro para sua moto trabalhar. Além disso, deve ter a ambição de acelerar motos de mais potência da linha Ninja. O perfil do consumidor da CBR 250R pode ser bastante amplo: do jovem amante das motos carenadas até experientes motociclistas que, depois de um longo período sem moto, volta a rodar com um veículo de duas rodas. Como atrativos, a Honda é dócil, fácil de pilotar e oferece maior mobilidade urbana. E é a vencedora deste comparativo. Mas e para você, qual é a melhor opção?

Deixe seu Comentário

Leia Também

SAÚDE

País tem quase 20 mil novos diagnósticos de câncer de pênis em 9 anos

CONSUMIDOR

Projeto proíbe comprar imóveis, carros e obras de arte com dinheiro vivo

SAÚDE

Brasil já registra metade dos casos de dengue contabilizados em 2023

GESTÃO PÚBLICA

Titular da pasta de parcerias estratégicas de MS recebe prêmio nacional de infraestrutura na B3