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Ação foi feita com base em auditoria feita no Hospital do Câncer.

Documento aponta superfaturamento em compra de terrenos.

24 setembro 2013 - 20h40
G1 MS

O Ministério Público Estadual (MPE) entrou com uma ação cautelar de indisponibilidade de bens contra ex-diretores da Fundação Carmen Prudente, mantenedora do Hospital do Câncer (HC) de Campo Grande, e contra outros investigados pelo desvio de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS) na instituição. O pedido foi protocolado na última sexta-feira (20) na Justiça de Mato Grosso do Sul.

O MPE entrou com a ação após denúncias de que os investigados estavam vendendo os bens. “O pedido visa garantir aos cofres públicos que eles serão ressarcidos no futuro se os requeridos forem condenados. É para garantir que o patrimônio não seja dilapidado pelos investigados”, explicou a promotora Paula Volpe ao G1.

Os bens dos ex-diretores da Fundação Carmem Prudente e dos investigados somam cerca de 150, entre prédios, casas, apartamentos, terrenos, chácaras e veículos de luxo.

Ainda de acordo com a promotora, a ação foi feita com base no relatório da auditoria independente contratada pelos atuais diretores do Hospital do Câncer e nas investigações feitas pelo MPE que, segundo a promotora, estão em segredo de justiça.

De acordo com o relatório da auditoria independente, uma das irregularidades encontradas foi a compra de medicamentos por preços acima dos praticados no mercado.

A auditoria também constatou um déficit de aproximadamente R$ 700 mil referentes a serviços prestados por três empresas contratadas pelo hospital. Os serviços eram pagos com acréscimos de até 70% em cima dos valores da tabela do SUS. Ainda segundo o relatório, as empresas não cumpriam as cláusulas previstas nos contratos e recebiam os pagamentos sem prestar os serviços.

Em relação ao pagamento de funcionários, o relatório apontou que boa parte dos empregados pertencia à família do ex-diretor do hospital, Adalberto Siufi, e que eles recebiam valores mais altos do que os outros trabalhadores.

Os auditores também constataram superfaturamento na compra de dois terrenos, localizados na rua Maracaju, região central da cidade. Segundo o documento, o hospital comprou os lotes em 2010, por R$ 9,2 milhões. Uma avaliação feita pela Câmara de Valores Imobiliários (CVI) de Campo Grande mostrou que, na época, o terreno valia R$ 7,1 milhões.

“As irregularidades detectadas pela auditoria independente são bastante preocupantes porque elas mostram situações que confirmam que o hospital não estava sendo bem administrado. Certamente isso acarretou em grandes prejuízos para a instituição”, afirmou a promotora.
Caso
As irregularidades no Hospital do Câncer vieram à tona durante as primeiras investigações da Polícia Federal, do Ministério Público e da Controladoria-Geral da União (CGU), na operação Sangue Frio. Em 2009, uma auditoria do Ministério da Saúde encontrou outras situações ilegais na instituição, como o pagamento para tratar pacientes que já haviam morrido. A suspeita é que o HC tenha monopolizado o tratamento da doença em Campo Grande para beneficiar pessoas e empresas com o desvio de dinheiro público.

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