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Eventuais mudanças na condução da Venezuela podem gerar impacto no Mercosul, diz cientista político

Eventuais mudanças na condução da Venezuela podem gerar impacto no Mercosul, diz cientista político

05 janeiro 2013 - 10h40
Agência Brasil

Possíveis mudanças nos rumos políticos da Venezuela, caso o presidente Hugo Chávez não tenha condições de tomar posse para o novo mandato, não trarão consequências importantes para o Brasil, na avaliação do professor de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas. Ele acredita, no entanto, que eventuais alterações na condução da política venezuelana poderão gerar impactos no papel desempenhado pelo país no Mercosul.

“Para o Brasil, [não vai haver consequência] nenhuma, afinal a Venezuela não é sustentáculo para o país em nada. O que vai haver é um vazio no Mercosul e dependendo de quem vier a assumir o poder, pode ser que haja um relançamento [da nação] no bloco com uma nova face, mas isso também vai depender de quem serão os atores [políticos no país] daqui a três, seis meses”, disse, lembrando que as relações entre Brasil e Venezuela eram mais fortes durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva do que são atualmente, na gestão da presidenta Dilma Rousseff.

A Venezuela foi incluída no Mercosul em julho de 2012, mas a adesão completa do país ao bloco só será concluída em 5 de abril deste ano, devido à necessidade de adequação da nomenclatura e de normas de vários produtos do país às definições do Mercosul. O bloco é composto por Brasil, pela Argentina, pelo Uruguai e pelo Paraguai, que está temporariamente suspenso.

O professor Ricardo Caldas também descartou uma intervenção política do bloco na Venezuela, como houve no ano passado com o Paraguai, quando o então presidente Fernando Lugo foi destituído do cargo, em junho, após aprovação do impeachment pela Câmara e pelo Senado. A iniciativa foi considerada o rompimento da ordem democrática no país por líderes políticos sul-americanos, que aprovaram a suspensão temporária do Paraguai do Mercosul e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

“A tendência é que a Venezuela resolva seus próprios problemas”, disse, referindo-se ao impasse sobre a posse do presidente Hugo Chávez, marcada para o próximo dia 10. Caso Chávez, que foi reeleito em outubro, não possa assumir, a Constituição prevê que haja nova eleição para a Presidência da República em um prazo de até 30 dias. Interinamente o país deve ficar sob o comando do presidente da Assembleia Nacional (Parlamento) Venezuelana, mas alguns setores defendem que a data da posse seja adiada até que Chávez esteja com a saúde plenamente recuperada.

Embora a questão não tenha sido solucionada, até o principal nome da oposição, Henrique Capriles, disse ser favorável à alteração na data. Atualmente, o posto de presidente interino é ocupado pelo vice-presidente, Nicolás Maduro. Há cerca de um mês Chávez está hospitalizado em Havana para tratamento de combate ao câncer. No último dia 11, foi submetido a uma cirurgia para a retirada de um tumor maligno na região pélvica. Durante o procedimento, ele sofreu uma hemorragia e depois teve complicações respiratórias.

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