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POLÍCIA

Delegacia da Polícia Civil de Miranda deflagra "Operação Magia Negra"

05 agosto 2021 - 11h15Por PC-MS

A Polícia Civil, por meio da Delegacia de Miranda, com apoio da 1ª Delegacia de Aquidauana, realizou na manhã desta quinta-feira, 05/08, uma operação policial de

Nominada “Operação Magia Negra”. O objetivo da ação foi cumprir mandados de prisão de indivíduos envolvidos na morte de uma criança de 9 meses, em um ritual espiritual em aldeia indígena, em fevereiro deste ano.

Foram presos os pais da criança e os dois curandeiros, sendo: E.M.S. (33), C.P.J.S. (34), G.P.J. (33) e F.J. (30). Os quatro serão indiciados pelo crime de homicídio qualificado pelo meio cruel.

O mandado de prisão foi expedido após o trabalho de investigação feito pela Polícia Civil e após a representação pela prisão preventiva dos autores, por parte da autoridade policial. Conforme o delegado responsável pelo caso, Pedro Henrique Pillar Cunha, as investigações terão continuidade, no intuito de identificar outros envolvidos.

O caso

Em fevereiro de 2021, chegou ao conhecimento da unidade policial de Miranda que uma criança indígena de 9 (nove) meses tinha dado entrada no Hospital Regional já em óbito. A criança apresentava diversas lesões e queimaduras pelo corpo, todas circuladas com uma tinta vermelha e cobertas por uma espécie de pó preto e possuía um terço com cruz de maneira envolto em seu pescoço.

A partir disto, o Setor de Investigações Gerais (S.I.G.) da Delegacia de Polícia de Miranda, iniciou investigações no intuito de apurar os fatos. Averiguou-se que a criança foi levada ao hospital pelos pais e outros parentes, que alegaram apenas que o bebê estava com “sapinho”.

A mãe, aparentando tranquilidade, chegou ao hospital dissimulando que a criança ainda estava viva. No entanto, no momento da triagem, a enfermeira constatou que a criança estava em óbito há pelo menos 40 minutos.

Os funcionários e médicos do hospital informaram que não existia nenhum indício de “sapinho” na criança. O fato que causou estranheza é que, após a notícia do óbito, os pais e parentes reagiram com extrema frieza, sem reação compatível com o falecimento de um filho, levantando suspeitas de que já sabiam que a criança estava morta. O laudo necroscópico concluiu que a criança faleceu de septicemia (infecção generalizada), provavelmente decorrente da lesão na inguinal.

Em apurações preliminares, levantou-se a linha de investigação sugestiva da prática de ritual espiritual com a criança. Em entrevistas preliminares, os pais da criança deram informações contraditórias sobre as lesões e incompatíveis sob o ponto de vista médico, chegando a relatar que os ferimentos surgiram no mesmo dia e “do nada”.

Após aprofundamento nas investigações, os genitores confessaram que levaram seu filho de 9 meses a uma dupla de curandeiros locais. A criança foi submetida a procedimentos espirituais durante 4 dias seguidos, num local chamado “santuário”, onde existiam a presença de diversas imagens de entidades religiosas. Informaram que as lesões no corpo surgiram após os rituais e que a mancha de pó preto e tinta vermelha também são oriundas destes procedimentos, que duravam aproximadamente 1 hora.

Um dos curandeiros também informou que fizeram os referidos procedimentos ritualísticos (simpatias) com a criança, para promover sua “cura”. Relatou que, de fato, realizaram as queimaduras de cigarro e cinzas de cigarro quentes, invocando entidades espirituais neste ato.

A caneta vermelha era consagrada a entes espirituais e era utilizada para circular as lesões. Após o quarto dia de rituais, a criança começou a apresentar febre e inchaço abdominal, sendo levada a outra “curandeira”, que reside em aldeia no município de Miranda.

Segundo relatos, esta curandeira seria conhecida por realizar rituais satânicos e magia negra. Na residência desta curandeira, a criança foi levada a um quarto, onde teriam diversas imagens de entidades religiosas, sendo que entoaram cânticos, invocando tais entidades, bem como passaram óleo com sementes pretas. Após isto, a curandeira informou que o “santo” lhe disse que “não era mais com ele” e deveriam levar a criança ao médico, o que foi feito. No entanto, a criança já estava morta.

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