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Lugo vai recorrer para ter mais tempo de defesa no Paraguai

Lugo vai recorrer para ter mais tempo de defesa no Paraguai

22 junho 2012 - 13h00
G1


O presidente do Paraguai, Fernando Lugo, vai apresentar uma ação de inconstitucionalidade à Suprema Corte de Justiça do país contra o julgamento político iniciado na véspera pelo Congresso para sua destituição, anunciou o secretário-geral da presidência, Miguel López.

"O presidente reclama mais tempo para defesa", afirmou o porta-voz à imprensa, poucas horas antes do início do julgamento, marcado para a tarde desta sexta-feira e que foi interpretado como um "golpe de estado branco" pela comunidade latino-americana.

O Senado convocou Lugo ao meio-dia local (13h de Brasília) para apresentar sua defesa contra a acusação de "mau desempenho das funções" apresentada pela Câmara de Representantes.

O Senado pretende anunciar o veredicto às 16h30 (17h30 de Brasília).
O clima é tenso nesta sexta-feira na capital do país, Assunção. Militantes de movimentos sociais ocupam a praça do Congresso, na expectativa do julgamento.
Uma comitiva de chanceleres da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), incluindo o Brasil, está no país para monitorar a situação e iria se encontrar com parlamentares nesta manhã.

O processo foi iniciado por conta do conflito agrário que terminou com 17 mortos na semana passada no interior do país.
Ele foi aberto na quinta-feira, depois que o Partido Liberal Radical Autêntico, do vice-presidente Federico Franco, retirou seu apoio ao presidente socialista, acusando-o de ter agido errado no confronto.

A Câmara aprovou a abertura do processo numa votação quase unânime, e o Senado --onde Lugo também não tem maioria-- marcou o julgamento político já para a sexta-feira.

"Estão me fazendo um golpe de Estado expresso, porque fizeram entre a noite e a madrugada. Nós dizemos que é inclusive anticonstitucional, porque não se respeita o devido processo", disse Lugo, um ex-bispo católico de 61 anos, em entrevista à emissora de TV Telesur na noite de quinta-feira.

"Tomara que reine a racionalidade nos nossos parlamentares, e que o presidente Lugo possa realmente sair airoso desse julgamento político injusto ao qual é submetido hoje pelo Congresso Nacional", acrescentou.
Os parlamentares decidiram acelerar o processo por temerem que protestos populares inviabilizem o andamento do impeachment.
Em caso de impeachment, o vice-presidente Franco deve completar o mandato de Lugo, que termina em 2013.

O último processo de impeachment no Paraguai aconteceu em 1999, quando o então presidente Raúl Cubas foi acusado de envolvimento no assassinato do vice-presidente Luis Argaña e na posterior morte de sete manifestantes. Cubas renunciou e se exilou no Brasil antes da conclusão do julgamento.

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