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Os principais tipos de parto

Como são feitos, as indicações, os benefícios e as desvantagens de cada forma de parir

09 maio 2012 - 15h30
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Parto normal (ou vaginal)

Como é

Ao final da gestação (cujo termo normalmente ocorre entre 37 e 40 semanas), as contrações dão o alerta de que o trabalho de parto vai começar. Quando elas passam a ocorrer em intervalos de cinco minutos, é um sinal de que o corpo está pronto para dar à luz o bebê.No estágio inicial do trabalho de parto o colo do útero se dilata lentamente e vai se tornando mais fino.

Quando a dilatação chega a aproximadamente 10cm, tem início o processo em que o útero passa a empurrar o bebê através do canal vaginal. A força para expulsar o bebê deve ser feita até que ele esteja "coroando", ou seja, até que a cabeça já seja visível fora do corpo da mãe.

Depois do nascimento, novas contrações ajudam o útero a expulsar a placenta do corpo da mãe.

Indicação

Por ser o método mais natural e seguro tanto para a mãe quanto para o bebê, é também o mais indicado para qualquer gravidez que não apresente complicações.

Vantagens

A compressão do tórax ao passar pelo canal vaginal faz com que o líquido amniótico seja expelido dos pulmões do bebê, facilitando a respiração. Para a mãe, a recuperação é mais rápida e menos dolorosa. Além disso o aleitamento logo após o nascimento aumenta a imunidade do bebê e estreita os laços entre mãe e filho.

Desvantagens

A dor no períneo é a principal – ela é provocada pela pressão exercida pela cabeça do bebê sobre a região. Muitas vezes é necessário que o médico faça um pequeno corte na região muscular entre a vagina e o ânus, para facilitar a passagem do bebê. Chamada de episiotomia, essa prática é seguida por alguns pontos, que normalmente caem sozinhos alguns dias após o parto.

Recuperação

Costuma ser rápida e praticamente indolor (à exceção de algum desconforto causado pela episiotomia). Geralmente, em dois dias mãe e bebê já podem ir para casa.

Modalidades de parto normal

Há diversas modalidades de partos normais, que diferem entre si desde em relação ao método usado para evitar ou não a dor até o meio em que o bebê nascerá. Confira a seguir algumas das mais populares.

Parto de cócoras: a diferença para o parto normal tradicional é a posição da parturiente, que fica de cócoras em vez de permanecer deitada. Com a gravidade agindo, a tendência é de um parto mais rápido. Mas atenção: ele só pode ser realizado em mulheres saudáveis e sem problemas de pressão e se o bebê estiver na posição cefálica (com a cabeça para baixo).

Parto na água: em uma banheira esterilizada e com água aquecida, a parturiente dá à luz no mesmo ambiente em que o bebê se encontra no útero, ou seja, cercado de líquido. Como ele segue respirando pelo cordão umbilical por alguns segundos após o nascimento, não há risco de afogamento caso o parto seja conduzido por profissionais habilitados. Para a mãe, a água quente pode atenuar as dores e o cansaço do trabalho de parto, ajudando a relaxar e a tornar a experiência mais prazerosa.

Parto natural: é o parto vaginal feito sem intervenções como a analgesia, o rompimento artificial da bolsa e a episiotomia. Apesar de proporcionar à mulher a experiência de parir em circunstâncias totalmente naturais – o que para algumas é descrito como uma experiência ponderosa –, esse tipo de parto não é indicado para todas as mulheres.


Parto cesáreo (ou cesariana)

Como é

Trata-se de uma cirurgia abdominal em que o médico faz uma pequena incisão no abdome (normalmente, um pouco abaixo da linha do biquíni) e na parte inferior do útero para retirar o bebê da barriga da mãe.

O procedimento é precedido de anestesia, normalmente raquidiana (nela o analgésico é administrado de uma só vez e com duração de ação limitada).

Assim que o bebê nasce, é avaliado por um pediatra e levado até o berçário para o banho e, se necessário, a incubadora. Enquanto isso, depois de ter o corte fechado por pontos, a mãe é transferida para uma sala de recuperação, onde receberá o bebê para as primeiras tentativas de amamentação.

Indicação

Por apresentar maiores riscos de infecção e sangramento, a cesariana é indicada apenas quando há algum impedimento para a realização do parto normal. Em geral, a cesariana é indicada quando:

O bebê estiver sentado ou de ladoHouver desproporção céfalo-pélvica (quando a cabeça do bebê é maior do que a passagem da mãe)A mãe tiver hemorragias no final da gestaçãoFor uma gestação de múltiplosHouver piora em um quadro de pré-eclâmpsia (elevação da pressão arterial)A mãe tem herpes genitalA grávida tiver problemas de coluna e/ou quadrilA mãe tiver diabetes gestacionalHouver ruptura prematura da bolsa
Indicações de urgência:
Sofrimento fetal (alteração nos batimentos cardíacos do bebê)Prolapso do cordão umbilicalDescolamento de placentaTrabalho de parto prolongado

Vantagens

A cesariana oferece um método de nascimento alternative nos casos em que os riscos de um parto normal superam os benefícios. É também uma opção para mulheres que enfrentam uma gravidez complicada ou de risco.

Desvantagens

Como trata-se de uma cirurgia, os riscos são os mesmos de outros procedimentos incisivos, incluindo infecção, hemorragia e até mesmo acidentes cirúrgicos. A cicatrização também pode apresentar problemas, como a formação de queloides ou hérnias.

Recuperação

Por se tratar de uma cirurgia de grande porte, a recuperação pode ser bem lenta. Em geral, mãe e bebê só vão para casa após três ou quatro dias. Apenas cerca de 8 a 12h após a cesárea é liberada a alimentação, e só de 10 a 12 horas após o parto a mulher pode sair da cama – normalmente levada para tomar um banho com a ajuda de enfermeiras.

Caminhar é um dos primeiros passos rumo à recuperação, mas o processo de cicatrização geral é longo e demanda alguns cuidados, especialmente com a área externa do corte – que precisa estar sempre bem higienizada.

Nas primeiras quatro a seis semanas, é fundamental não fazer grandes esforços físicos, não carregar peso além do próprio bebê e não dirigir. A retomada da atividade sexual costuma ser liberada pelos médicos em 40 dias, mas é necessário que cada caso seja avaliado individualmente.


Fonte: Flavia Moreira Soares, ginecologista e obstetra da Secretaria da Saúde do Governo do Estado do Rio Grande do Sul

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