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Problema só será resolvido com engajamento de todos os segmentos da sociedade organizada.

Problema só será resolvido com engajamento de todos os segmentos da sociedade organizada.

13 junho 2012 - 15h45
Divulgação (TP)




A fronteira possui características específicas. Uma delas é a facilidade de circulação de drogas. Estudos revelam que na região, o preço das drogas é menor do que nos outros centros urbanos e, por isso, muita gente deixa estes lugares para ficar na fronteira.

Outro problema: os dependentes químicos, muitas vezes, são “alimentados” pela própria comunidade quando esta oferece esmolas. Aquele dinheirinho que, muitas vezes, repassamos para uma pessoa que vive nas ruas, é utilizado para a aquisição de drogas. Uma pedra de crack, por exemplo, pode ser comprada por R$ 3.

Números da Secretaria Municipal de Assistência Social e do Trabalho revelam que 98% das pessoas que estão nas ruas são dependentes químicos e, por isso, devem receber tratamento de saúde.

Desta forma, um dos maiores equívocos cometidos na atualidade é caracterizar uma pessoa, dependente química que vive nas ruas, como mendigo ou bandido. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, estas pessoas são doentes crônicos. A dependência química é hereditária, congênita, não tem cura e mata, afirmam os estudos da OMS.

Por isso, a sociedade precisa mudar o olhar sobre o trabalho de atendimento que é feito pelas autoridades públicas. “Nós temos os meios para sensibilizar estas pessoas. Porém, temos limitações. Não podemos arrancar as pessoas das ruas. Elas só saem de lá se quiserem. Infelizmente, não podemos fazer mais do que isso. Agora, mesmo com as limitações, temos obtido grandes êxitos. Já temos vários casos de pessoas que conseguimos sensibilizar e que foram reinseridas em suas famílias, mudaram de vida”, afirma a secretária municipal de Assistência Social, Doralice Nunes Alcântara.

Em Ponta Porã, a Secretaria Municipal de Saúde, montou o CAPSad – Centro de Atenção Psicossocial - álcool e outras drogas. Nele, foi criado o consultório de rua que consiste no trabalho diário de uma equipe que circula pela cidade, especialmente nos lugares em que se concentra a maioria das pessoas dependentes químicas.

O trabalho consiste em proporcionar um atendimento digno às pessoas em situação de rua. Elas são orientadas a buscarem tratamento. As que aceitam são encaminhadas para os locais que fazem a internação. Aqueles que são de fora e que querem voltar para suas cidades de origem, são encaminhados para a Assistência Social (que, através do CREAS, trabalha em parceria com a Saúde) que providencia o deslocamento.

De acordo com a equipe do CAPSad, foram cadastradas 77 dependentes químicos em situação de rua na cidade. A maioria absoluta não é de Ponta Porã. 30% dos pacientes são paraguaios. Dos outros 70%, a maioria veio de outras cidades (40%). E, os outros (30%) são de Ponta Porã.

COMUNIDADES TERAPÊUTICAS

Atualmente, o trabalho de recuperação de dependentes químicos ganhou o importante apoio das igrejas que mantêm as chamadas comunidades terapêuticas. Em Ponta Porã, existem duas, que atendem dezenas de pessoas.
Porém, o poder público, por força da legislação vigente no Brasil, não pode oferecer às comunidades terapêuticas o apoio que elas necessitam. Uma comunidade terapêutica, por exemplo, não pode receber verbas da Saúde, porque a Agência Nacional de Vigilância Sanitária exige que, nelas, trabalhem alguns profissionais da área da saúde.

Mesmo assim, alguns municípios encontraram uma forma de ajudar. Em Ponta Porã, a Prefeitura ajuda as comunidades através de convênio com a Secretaria Municipal de Assistência Social. “Repassamos recursos para que a comunidade terapêutica possa abrigar pessoas”, explica a secretária Doralice Alcântara.

O valor repassado é insuficiente para atender todas as necessidades da entidade que precisa contar então com o apoio da sociedade. “Este é um dos grandes debates que travamos em todo o Brasil quando se discute a problemática da dependência química. Por isso, já existe uma proposta apresentada no Congresso Nacional para que as comunidades terapêuticas sejam reconhecidas como importante recurso para o tratamento dos dependentes químicos e, desta forma, ser beneficiadas com recursos públicos oriundos da saúde”, explicou Doralice.

Como se pode ver, o problema é complexo e, para ser resolvido, precisa do engajamento de todos os segmentos da sociedade organizada.

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