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Polícia

Índios agrediram e derramaram gasolina em PMs reféns

18 junho 2016 - 09h55Por Fonte: correiodoestado
Bombeiros militares que participaram da negociação para liberar três policiais militares feitos reféns por índios, no dia em que ocorreu conflito e morte do indígena Clodiodes Aguileu Rodrigues de Souza na fazenda Ivu, em Caarapó, relataram que precisaram até mentir para conseguirem resgatar os colegas de farda. Os índios algemaram, agrediram e derramaram gasolina sobre os PMs.

Em entrevista publicada pelo Dourados News, o comandante da viatura de resgate, soldado Elton Oliveira dos Santos e os soldados Lucimar Maciel Piveta e Johnny Pereira Grubert relataram os momentos de tensão vividos pela equipe.

Tudo começou por volta das 10h de terça-feira (14), quando a guarnição foi acionada para atender ocorrência na fazenda. A informação era de que havia índios baleados.

Depois de levarem os índios feridos para o hospital da cidade, os bombeiros foram informados que teriam que voltar, pois havia policiais sendo feitos reféns.

Os reféns estavam em uma barreira formada por índios armados, segundo o relato dos bombeiros. Os policiais pediam socorro. Os bombeiros falaram aos índios que iam salvar a vida de indígenas, mas pediram para que não fizessem mal aos policiais, que estavam com o rosto pintado de preto e eram agredidos pelos índios. Dois policiais estavam algemados juntos e um terceiro algemado com o motorista do caminhão.

"Tudo o que eu conseguia pensar nessa hora era o que a gente podia fazer para tirar eles ali, é uma situação muito complicada que a gente nem imaginava passar. E podia ser a gente. A qualquer momento, eles também podiam nos colocar naquela situação", disse Grubert ao Dourados News.

O argumento usado pelo comandante da equipe era de que eles já estavam salvando os índios. Neste momento, uma das lideranças permitiu que os reféns fossem liberados, mas outro chefe indígena não permitia. "Quando um falou ‘deixe eles [bombeiros] levarem [os policiais]’, nós já fomos colocando na viatura", disse.

Ao passarem por uma das barreiras com índios armados, o soldado Grubert precisou mentir para salvar a vida dos colegas. Um dos índios parou a viatura perguntando o que estavam levando. "Eu olhei bem no olho dele e disse ‘índio ferido’. Ele me perguntou umas três vezes. Tive que mentir e ser firme com ele. Se descobrissem que estava levando os policiais, algemados, todos sem arma, era possível que ficássemos todos ali também", disse.

Elton frisou que se não saísse logo dali, seu suposto passageiro corria risco de morte, então os índios os liberaram para passar. "Eu sai dali correndo o mais rápido que eu poderia. Foi um alívio muito grande e, não vou mentir, a emoção tomou conta de todos nós que estávamos dentro da viatura", afirmou.

Depois que saíram do local com todos com vida, Maciel conta que a sensação era a "melhor possível". "A gente sabe que fez a nossa obrigação, mas nessa hora a gente também pensa que salvou alguém que tem uma família o esperando, e que poderia ter morrido ali daquela forma", conta.

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