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Noite de glória para Delinha, com amigos e fãs no lançamento do 1º CD sem Delio

18 agosto 2012 - 16h20
Campograndenews

Mais bonita não poderia estar, com uma blusa rosa vibrante em combinação com os grandes brincos coloridos e a saia reluzente: a Delinha original. Um figurino digno da noite de “moagem” em grande estilo, ao lado de companheiros da música sertaneja e de uma turma de fãs entusiasmadíssimos.

Delinha subiu ao palco ontem no Clube União dos Sargentos, rodeada de amigos, para lançar o primeiro CD gravado depois da morte do companheiro Delio, que foi embora há 2 anos e meio. Ela soltou o vozeirão e a turma do gargarejo passou a abrir a boca, besta diante do vigor de uma mulher que canta com uma paixão de doer.

Conhecida como artista durona, sem frescura para dizer o que pensa, a noite apresentou uma senhora doce, feliz da vida com a sequência de abraços e beijos de pessoas que formavam fila para receber o autógrafo no novo CD.

“Olha só... fico até arrepiado de lembrar que vi a Delinha de perto, abracei e beijei”, diz o pecuarista Nivaldo Komochena, que saiu de Nioaque para estar no show em Campo Grande.

Sentimento de um senhor que aos 13 anos ouviu Delio e Delinha pela primeira vez no rádio e guardou a estrofe “Quando eu chego você sai e a distância continua”, poesia da maior canção da dupla: O Sol e a Lua. “É de uma espontaneidade que me emociona”, justifica.

Dina Rodrigues veio de mais longe, de Araçatuba, para acompanhar um momento importante da “mestre Delinha”. “A conheci pessoalmente em 2007, porque também canto pelo Brasil, mas já a admirava muito. O que eu acho interessante é que ela tem fãs de todas as idades. O toque do telefone celular da minha filha de 14 anos é uma música de Delio e Delinha”, diz.

Mas qualquer noite com Delinha mostra mais do que o respeito por alguém que há 57 anos faz música. Serve para ver e falar de gente importante, como Castelo, famoso na época da dupla Castelo e Mansão.

Há 3 anos ele voltou a Campo Grande, depois de outros 3 anos no Japão. Uma passagem da vida do músico que vale ser contada por lembrar de valores como a honra. “Peguei empréstimo para pagar músicos que trabalhavam comigo. Fiquei devendo para o banco e resolvi ir para o Japão, trabalhar em forno de padaria, até pagar tudo. Voltei de cabeça erguida, sem dever nada a ninguém”, comenta orgulhoso.

Sobre a amiga, os elogios começam por “voz inconfundível” e seguem até “vitalidade fora de série”. É mais um admirador a lembrar como foi a descoberta de Delio e Delinha. “Ouvi a primeira vez naqueles autofalantes de parque de diversões, lá em Aquidauana. Foi ali que eu comecei a perceber qual seria a minha carreira”, conta.

E a felicidade com o novo CD nas mãos.
No palco, Castelo assumiu as vezes de Delio em revezamento com o único filho de Delinha, João Paulo. O homem feito, filho dos primos que casaram cedo, depois se separaram e mesmo assim continuaram cantando juntos, a primeira vista ele tem o jeito tranquilo do pai Delio, mas com a energia da mãe Delinha. Parece outro fã ardente e gosta de deixar isso público.

“Antes de vir para o show, eu ouvi minha mãe falando ao telefone que depois da apresentação iria ao hospital, ficar com o atual marido dela, que há 25 dias está internado. Nunca vi uma mulher tão guerreira.”

Para agradecer pelo sentimento bom dirigido à Delinha, o pensamento buscou Delio. “Meu pai dizia que grande riqueza é o carinho de vocês que sempre nos acompanharam”.

Brejinho, outro filho que não esquece o pai, o “saudoso radialista Zé do Brejo”, incorporou o José Rico para um dueto com a rainha do sertanejo sul-mato-grossense, mas ao descer do palco preferiu falar sério. “Acho que essa garotada que faz sucesso agora tinha de valorizar esse povo da música de raiz, regravando clássicos”.

Delinha garante nunca ter se sentido esquecida, gosta da “turminha nova” que faz sucesso com hits chicletinho e diz que só não sai cantando “tchu e tcha porque não fica bem para uma velha”.

Com o conhaque sobre a mesa, "para esquentar a garganta", entre uma pausa e outra do palco, ela fica por horas autografando o CD que gravou praticamente ao vivo. “Foi no 1,2, 3, valendo”, conta. O trabalho trouxe músicas novas na voz de Delinha, apesar dela não ter aprovado muito isso. “Gosto das antigas, mas meu filho mandou e eu obedeci”, brinca.

Sobre mais um recomeço, em carreira solo aos 75 anos, a “casca grossa” impede qualquer medo ou frescura, explica. Sobre a vida, ela diz que só espera uma coisa: “viver”.

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