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Ex-F1 fala da situação do brasileiro da Ferrari e seu trabalho como comentarista na Globo

10 agosto 2012 - 17h40
Uol

Luciano Burti correu na F1, mas hoje é mais reconhecido pelo público graças ao seu trabalho de comentarista nas transmissões da Globo do que por sua carreira dentro das pistas. Compreensível. O paulista ficou apenas quatro anos na principal categoria do automobilismo mundial, mas três deles foi apenas como piloto de teste. No total, foram apenas 14 GPs. Pouco se comparado com os oito anos que já leva na TV, fazendo companhia à dupla Galvão Bueno-Reginaldo Leme.

No entanto, foi apenas por sua experiência nas pistas que ele conseguiu um espaço na Globo. “Comecei a assistir as corridas e percebi que algumas coisas passavam em branco. E não havia como eles [Galvão e Reginaldo] narrarem, pois nunca pilotaram um carro, como eles iriam fazer?”, conta. A partir daí, ele se ofereceu a diretores do esporte da Globo, fez um teste e ficou. Ele explica que na época, sentiu que Reginaldo se sentiu incomodado com a sua chegada, mas diz que, hoje, os dois trabalham bem juntos.

Foi rápido, como seu início de carreira. Burti começou tarde no automobilismo. Entrou em um kart em 1991, aos 16 anos, idade em que os jovens pilotos já estão estreando em carros fórmulas. Aos 21, rumou para a Europa na tentativa de chegar à F1, o que conseguiu em 2000, quando substituiu Eddie Irvine no GP da Áustria, pela Jaguar. Na temporada seguinte, ele sofreu um acidente sério em Hockenheim, na Alemanha (saiu ileso), e um gravíssimo, em Spa-Francorchamps, na Bélgica (ficou dois dias em coma). Depois disso, ele conseguiu voltar apenas no ano seguinte como piloto de testes da Ferrari, onde passou três anos.

O paralelo com o acidente de Felipe Massa, nos treinos do GP da Hungria de 2009, é inevitável. Mas Burti, com a vivência de quem passou por algo parecido e foi companheiro de Massa na Ferrari (ambos como pilotos de teste), diz que não acredita que o impacto da mola naquele sábado em Hungaroring seja o fator principal para a queda do desempenho do compatriota. Para o comentarista, o momento da mudança foi a chegada de Fernando Alonso no ano seguinte, e principalmente a ordem de equipe que o obrigou a ceder a liderança do GP da Alemanha de 2010 ao espanhol.

“É a tal da autoconfiança. Em 2010, ele fez alguns pódios, mas aí veio o episódio da Alemanha. Aquilo acabou com ele, cara. Ali acabou com ele. Ah, ele passou a pilotar pior depois por coincidência? Não, não foi coincidência. É o baque sofrido pelo cara, é a perda da autoconfiança. Vira uma bola de neve”, explica.

Essa queda de Massa teve impacto direto para o Burti comentarista. Ele admite que a Globo hoje corre atrás para recuperar a audiência perdida com os insucessos brasileiros dentro da pista, pois ficou mal acostumada com os tempos em que tinha pilotos do país brigando e vencendo títulos. “Nunca a Globo fez algo porque precisava. A audiência dita muito o que precisa ou não. Teve Emerson [Fittipaldi], [Nelson] Piquet e, principalmente na época [Ayrton] Senna, bombava”, diz. “A Globo se acostumou com isso. Faltou uma visão técnica para fazer com aquilo ficasse melhor? Sim, mas os caras entendem de televisão, não de F1. Conforme foram acontecendo as coisas, não foi o ideal, não foi ideal para a formação do público e tal”, completa.

Burti visitou a redação do Tazio e enfrentou uma sabatina de quase duas horas feita pela equipe do site sobre sua carreira, F1, Felipe Massa, Rubens Barrichello, Ferrari, Stock Car e muitos outros assuntos. Veja abaixo a primeira parte da entrevista (a segunda será publicada neste sábado).

Lucas Santochi – O acidente em Spa é talvez o momento mais marcante de sua passagem pela F1 e que ficou na memória da maioria das pessoas. E você, o que lembra daquilo?

Eu lembro até o warmup, que ainda era disputado na época. Da corrida, não lembro nada. Não lembro da largada, da primeira volta, nada. Minha memória apagou tudo. Revendo o acidente, eu sei que tentei passar em um lugar onde não dava e o animal do Eddie [Irvine] também não se preocupou em olhar para o lado. A gente se zoa até hoje por causa disso: ele vem e me chama de imbecil e eu respondo “você que é um ‘véio’ cego” [risos]. Mas os dois vacilaram ali.

Leonardo Felix – E quando você se lembra de ter retomado a consciência?

Dois dias depois. Fiquei em coma induzido, porque eu sofri uma hemorragia cerebral e eles me induziram ao coma para tentar fazer uma drenagem natural. Se a hemorragia permanecesse, eles mesmos teriam que fazer. Não é nada muito “punk”, mas eles teriam que fazer um furo, drenar e tal. Quando eu saí do coma, eu comecei a entender que estava ali [no hospital], mas foi algo muito louco, porque eu acordava, falava alguma coisa e, três minutos depois, dormia de novo. Eu dormia de 16 a 18 horas por dia. E lembro só algumas cenas.

LS – Mas você lembra nitidamente de tudo isso?

Não, só algumas cenas. Sabe, como se fossem algumas fotos ou filminhos de dois ou três minutos? Eu lembro de eu acordando pela primeira vez no quarto e, como eu sou higiênico e cheio de manias, eu acordei me sentindo mal, porque estava há dias sem tomar banho e fedendo, me sentindo porco. Mas era bem louco, porque eu acordava, falava com meus pais, contava uma história e dormia. Três horas depois eu acordava de novo, contava a mesma história e dormia de novo. Dali a duas horas, a mesma coisa. Eu misturava as palavras, esquecia palavras… em vez de pedir para “desligar” a luz, eu falava para “cortar” a luz. Então, eu estava bem zoado. Obviamente meus pais estavam bem felizes e aliviados por eu estar vivo, mas ninguém sabia se eu ia voltar a ficar normal. Meu irmão fala até hoje que só eu acredito que tenha voltado ao normal [risos].

“DEPOIS DO ACIDENTE EM SPA, EU NÃO SABIA MAIS SE CONSEGUIA TER NOÇÃO DE FAZER UMA CURVA PARA A ESQUERDA E OUTRA PARA A DIREITA, MAS JÁ TINHA ASSINADO COM A FERRARI”

LS – E como foi seu retorno às pistas?
Bruno Ferreira – Foi algo até muito rápido, né? Seu primeiro teste foi só quatro meses depois.

Antes de voltar a pilotar um F1, eu testei um F3 em Brasília, com o Amir Nasr [dono de equipe], para saber se eu tinha condições de pilotar de novo. Eu não sabia mais se conseguia ter a noção de fazer uma curva para a esquerda e outra para a direita e já tinha assinado [como piloto de testes] com a Ferrari. Eles me contrataram meio sem ter todas as informações sobre o meu estado. Não que eu estivesse escondendo, mas eu também não sabia o quão bem ou mal eu estava. Hoje eu sei que não estava em condição de ter voltado naquele momento.

LS – E como foi o teste?

Testei em Brasília, no dia seguinte à final da F3, que teve o [Juliano] Moro como campeão e o Nelsinho [Piquet]. Fui um segundo mais rápido que o tempo da pole. É claro que não dava para comparar alguém que já estava em um nível de F1 com meninos que estavam começando, mas mostrou que eu estava bem para pilotar. Agora, para ser sincero, eu não estava bem para voltar. Não pela pilotagem, porque eu conseguia pilotar, tanto que testei normalmente pela Ferrari, mas emocional e fisicamente eu não estava 100% recuperado. Eu estava fraco, porque fiquei quatro meses sem dar dois passos correndo.

BF – E emocionalmente?

Aquele ano de 2001 foi a realização do meu sonho – e foi mesmo, sou muito grato por tudo -, mas foi também o ano do maior pesadelo que eu já vivi. Eu estava lá, e via as coisas serem destruídas, não consegui andar bem, perdi a autoconfiança dentro do carro, sofri um acidente e tal… O pós-acidente tem, sim, uma sequela emocional, até pelos remédios que te dão. Felizmente, o Felipe não precisou tomar esses remédios, porque não deixaram, mas eu fui entupido de remédios contra convulsão que são verdadeiras bombas, cara. Isso causa em você uma alteração emocional e eu vou te falar, sendo bem sincero, que demorou uns dois anos para eu voltar a me sentir bem e forte comigo mesmo. Se alguém perguntasse na época se eu estava bem, eu responderia que sim, mas não por querer esconder nada e sim para que meus pais não ficassem preocupados em haver ainda algo errado comigo. Então, pelo sofrimento que meus pais passaram, eu fingia que estava nota dez, ótimo, mas na verdade eu tava zoado.

BF – Você estava consciente disso na época ou estava tentando apenas se convencer?

Os dois. Sabia que não estava legal, mas mentia para mim mesmo, porque não queria que meus pais sofressem nenhum segundo a mais por minha causa. Hoje tenho filhos, então imagina o que eles passaram… Portanto, fiz certo por esse lado, mas para mim, foi sofrido. Foi duro.

LF – Depois desses dois anos, você acredita que conseguiu voltar ao mesmo nível de antes? O Nelson Piquet, por exemplo, disse que, em 1987, quando teve um acidente em Ímola, retornou em um nível aceitável, mas não no mesmo de antes.

Então, uma vez conversei com o Nelson sobre isso. Estávamos em um GP no qual o Nelsinho estava correndo e ele me falou: “Tenho certeza que você não é mais o mesmo piloto”. Não sei responder isso, porque não dá para medir. Eu acho que não mudou nada em termos de pilotagem. O lado bom da história é que levei uma surra e caí, né? Tem muitas pessoas que nunca mais levantam. Hoje, minha personalidade é diferente daquela época e, se há uma coisa muito boa que tenho hoje é a autoconfiança, me tornei um cara mais forte. Então, nesse ponto, se tivesse que fazer F1 com a minha atual personalidade, seria muito melhor. Se piloto igual ou pior do que naquela época, não consigo dizer. O Nelson garante que ele piorou e que eu devo ter piorado, mas não acho. Agora se alguém me disser que mediu meus reflexos e eles pioraram “x” por cento, eu vou acreditar porque a pancada foi grande. Sei o que passei e não duvido disso [decréscimo na pilotagem], mas não consigo medir.

LS – Vamos falar um pouco sobre o acidente do Massa. Naquele dia, você participou da transmissão do treino do GP da Hungria. Bateu algum flashback?

Bateu um pouco, mas não de forma emocional. Estava tentando tranquilizar quem estava assistindo, tranquilizar os pais dele e falar algumas coisas que havia vivido e passado. Começaram a surgir aqueles absurdos, né? O Felipe com chance de morrer… Não existia aquilo. Qualquer médico é obrigado a dizer que, se você entra no hospital com algo um pouquinho [mais grave], você tem chance de morrer. Todo mundo aqui tem, os médicos falam qualquer coisa para se defender. Mas aquilo nunca aconteceu com ele


LS – Como você tinha essa certeza?

Fui no mesmo dia ao hospital, falei com o Gary Hartstein, o médico que me atendeu em Spa, porque falo com ele até hoje e ele virou um amigo. O médico explicou que o acidente de Massa foi muito parecido com o meu. O meu foi até pior, então não tinha como achar que o Felipe estaria pior. O dele foi mais feio, porque sangrou e machucou o rosto, mas o meu foi pior, pois dentro do cérebro, minha pancada foi maior do que a dele. Mas [o acidente] foi ruim de ver, é óbvio.

LS – Você acompanhou a recuperação do Felipe? Como ficou a cabeça dele durante este processo?

Ele também sofreu algumas coisas emocionais que acontecem quando você bate a cabeça mais forte. O Felipe conta que, o lado esquerdo do cérebro – onde nós dois batemos – é o emocional e social. No meu caso, perdi a memória presente e contava a mesma história. Por exemplo, estamos falando aqui agora, mas à noite, era capaz de te encontrar e falar “olá, prazer”, sem lembrar de você. Lembrava de coisas de dez anos atrás, porque a memória passada está do outro lado. Meu paladar mudou por um tempo. Quanto ao lado social, por exemplo, hoje faço questão de conhecer as pessoas aqui e ser politicamente correto. Naquela época, se eu não fosse com a cara de alguém, falava: “Ó, não fui com a tua cara, sai fora”. O Felipe teve umas sequelas semelhantes por um tempo. Mas como eu estava muito sensível por ter conhecimento do que havia passado, senti o Felipe muito mais forte do que eu, não o senti tão enfraquecido como eu fiquei. Ele não precisou tomar esse monte de medicamento porcaria que eu tomei, porque o Dino Altmann [médico da CBA] o acompanhou desde o dia seguinte ao acidente. O Dino não deixou os caras darem esse medicamento para ele. Os médicos queriam dar, porque querem se proteger. Não querem que o cara tenha uma convulsão, então mandam remédio. Mas isso faz um mal desgraçado, foi o que mais me prejudicou. O Felipe não passou por isso. Então, não acho que o Felipe tem sequelas até hoje na sua pilotagem, não acho que ele perdeu muito por conta disso. Não foi o ideal, mas não acho que isso tenha lhe tornado um piloto pior.

“O PILOTO É MUITO EGOÍSTA. SE EU LEMBRASSE DOS MEUS FILHOS QUANDO ESTOU NO CARRO, DESCERIA NA VOLTA SEGUINTE E NUNCA MAIS ENTRARIA. NÃO HÁ CHANCES DE VOCÊ SE COLOCAR EM UM CARRO DE CORRIDA E ARRISCAR SUA VIDA TENDO CONSCIÊNCIA DE QUE TEM FILHOS”

BF – E em relação aos fatores psicológicos? Ele também virou pai na mesma época, isso o afetou de alguma forma?

Acho que não. O piloto é muito egoísta. Se eu lembrasse dos meus filhos quando estou no carro, desceria na volta seguinte e nunca mais entraria. É impossível, um dia vocês vão descobrir. Ser pai é uma coisa tão grande, tão acima de tudo, que não há chances de você se colocar em um carro de corrida e arriscar sua vida tendo consciência de que tem filhos. Se você lembra, esquece. Você vai andar meio segundo mais lento. Então o piloto é egoísta, o Felipe não lembra, eu não lembro, assim como o Schumacher foi bicampeão do mundo sem lembrar.

LF – Ao sofrer o acidente, Massa interrompeu sua melhor fase da carreira. Ficou um tempo parado e voltou à Ferrari com um companheiro novo, que entrou no time com uma atitude centralizadora. Ter voltado a um ambiente no qual não recebeu o suporte necessário pode ser o motivo de ele passar por má fase?

Com certeza. Muita gente fala do acidente, mas não foi. O Felipe veio do campeonato de 2008, onde a dupla era ele e o [Kimi] Raikkonen. Só que o queridinho da equipe era o Felipe. Ele era o cara que os mecânicos gostavam. O Felipe é um cara politicamente correto, bacana, fala italiano e tal. O Raikkonen mal dá “bom dia”. É um cara gente boa, mas para uma equipe italiana… Em uma equipe inglesa está ok, mas não tem nada a ver com um time italiano. O cara não fala “bom dia”. Não é por falta de educação, ele simplesmente é assim. Nas únicas vezes em que o Raikkonen veio falar comigo, ele estava bêbado em festa. Eu também estava, não é para falar da fama de bêbado dele, estávamos em festa! [risos] O cara é divertido, mas, na corrida seguinte, passa reto e não fala “oi”. Para uma equipe italiana, isso não funciona. O Felipe era o cara querido da equipe e do ano de 2008, em que quase foi campeão e a Ferrari tinha o melhor carro. Começou 2009 com um carro não tão bom, mas ainda era o nº 1 do time. Aí veio a tal da mola, o cara ficou um ano fora, etc. e tal. Quando volta, estava lá o Alonso. Um cara bom para cacete, e na minha opinião e de boa parte do pessoal com quem converso, o melhor piloto do grid. E ele é forte do ponto de vista político, por centralizar mesmo as coisas, puxar tudo para ele mesmo e quem estiver ao lado que se dane. Veja o que aconteceu com o Nelsinho, o Romain Grosjean. Ah, o Grosjean aprendeu a pilotar agora? Aprendeu nada. O cara estava numa equipe na qual não tinha atenção nenhuma.

LF – Isso é comum, né?

Está errado o Alonso? Quem disse que o Senna também não fazia isso? Não estou falando mal do Senna, porque não trabalhei com ele, mas os grandes campeões, esses excelentes pilotos, têm a tendência, a moral para fazer isso. É um ambiente de competição, você não tem muita dó do seu companheiro de equipe. Então, se o cara tem essa moral, como um Senna, um Schumacher, um Prost, um Alonso, o cara acaba fazendo mesmo. Isso aí é meio natural. Então, para mim, 100% do problema do Felipe é a volta à Ferrari com o Alonso ao lado dele, a perda da posição de “queridinho” e da autoconfiança. Até acho que ele está bem. Conversando com ele nesta temporada, o vejo bem. Mas também já o vi para baixo, sem autoconfiança. Aí o cara passa a pilotar alguns décimos mais lento do que ele mesmo, e não pior do que o companheiro de equipe. Isso demora para voltar.

LF – Parece que o Massa regrediu. Em 2010, ele estava em um determinado nível em relação ao Alonso, em 2011, caiu, e em 2012, caiu mais.

É a tal da autoconfiança. O que aconteceu? Em 2010, ele fez alguns pódios, mas aí veio o episódio da Alemanha [prova em que Massa teve de ceder a liderança da prova a Alonso por uma ordem de equipe]. Aquilo acabou com ele, cara. Ali acabou com ele. Ah, ele passou a pilotar pior depois por coincidência? Não, não foi coincidência. É o baque sofrido pelo cara. Vira uma bola de neve. O cara cai, passa a pilotar mal por causa disso mesmo. Depois de amadurecer e se fortalecer, o Felipe começa a melhorar de novo. Ele tem tido um pouco de azar, pois tem andado bem. Tem o Alonso ao lado, mas os resultados não têm correspondido à real performance dele. Acompanhando a F1 de perto e vendo os treinos, era para o Felipe ter obtido um resultado melhor neste ano, mas ele está bem. O Felipe está com a cabeça boa, ao contrário da temporada passada, por exemplo.

BF – Você acha que, na Ferrari, com o Alonso como companheiro de equipe, ele conseguirá voltar à fase antes do acidente?

Acho que o Felipe pode voltar a atingir o 100% dele. Mas se você me perguntar se isso é suficiente para ganhar do Alonso, acho que é muito, muito difícil. É a mesma coisa do Rubinho, que estava com o Schumacher ao lado.

“NA ÉPOCA DO RUBINHO, HAVIA MAIS CHEFES DE PESO NA FERRARI. O RUBINHO PODIA RECORRER MAIS AO JEAN TODT OU AO ROSS BRAWN. HOJE, O ALONSO TEM POSIÇÃO ATÉMAIS FORTE QUE O SCHUMACHER”

LS – Você estava na Ferrari quando Schumacher e Barrichello corriam juntos. Vê alguma diferença no ambiente interno do time entre esta época e a atual, com Alonso e Massa?

É parecido, mas na época do Rubinho, havia mais chefes importantes, de peso. O Jean Todt era um cara muito forte, o Ross Brawn era forte na parte técnica. Tinha o Schumacher, mas eram esses caras que mandavam na equipe. Eles faziam tudo para que o Schumacher vencesse, mas eram eles que mandavam. Hoje, na Ferrari, tem o Stefano Domenicali. Trabalhei diretamente com ele, é um amor de pessoa, mas não é tão forte quanto o Todt. Tem um Pat Fry [atual diretor técnico da Ferrari], um cara que não conheço pessoalmente, mas não é o Brawn. Não os julgo como incompetentes, mas eles não são tão fortes, até em termos de imagem e tratamento com a imprensa, para lidar com um piloto como um Alonso ou um Schumacher. O Alonso, por este motivo, tem uma posição até mais forte do que o Schumacher no início dos anos 2000. Vejo que o Rubinho podia recorrer mais ao Jean ou ao Ross Brawn para, de repente, tomarem conta da situação dele de forma mais adequada. O Felipe tem que se virar um pouco mais.

LS – Então a situação interna do Felipe hoje é até mais difícil do que a do Barrichello?

É muito parecida, mas o Rubinho tinha uma equipe mais estruturada para se amparar. O Felipe também, mas eu senti o Felipe um pouco mais sozinho talvez. Pela falta de resultados, o Alonso disputando o campeonato do ano retrasado até a última etapa… Vamos tentar também justificar um pouco. Na época do Schumacher, a Ferrari estava sobrando muito. O Schumacher ia ganhar de qualquer jeito e era mais fácil dar atenção para o Rubinho. Como, em 2010, a Ferrari estava pau a pau com a RBR, é mais fácil a equipe se concentrar no cara que está disputando o campeonato e deixar o outro de lado. Isso conta muito. Pensando um pouco, talvez não tenha muito a ver com o fato de ser o Stefano ou o Jean. Mas a Ferrari sobrava. Quando estava lá, [a Ferrari] ganhava fácil, então dava para dar atenção aos dois. Acho que o Felipe passou uma época mais sozinho do que o Rubinho.

LS – Sobre aquele episódio entre Schumacher e Barrichello no GP da Áustria, em 2002, como foi a reação da equipe?

Não foi muito comentado. Foi feio, todo mundo sabia que estava errado, que pegou mal para caramba, mas passou. O europeu é muito mais racional, o brasileiro ficaria fofocando. É uma vergonha que tenho e, nesse ponto, posso falar sobre a Stock Car e o automobilismo nacional. Ô ambiente de fofoca, um falando mal do outro naquele paddock. Tem gente que me acha metido porque não paro para falar. Que me achem, mas não consigo parar para dar ouvidos a gente que fala mal dos outros e querer que eu fale de alguém. Não estou lá para isso. Na Europa, não existe muito isso. Um ou outro pode falar, mas eles não ficam ali inventando e criando histórias. É muito mais profissional. No Brasil, se tivesse acontecido isso, renderia papos, assuntos, jantares e conversas durante todo o ano. Passou uma corrida e pronto. A imprensa ficou explorando, mas dentro da equipe e do paddock, não. No Brasil, isso é muito destrutivo. Tenho vergonha às vezes de estar na Stock Car e ver isso acontecer ali atrás dos boxes, um falando mal do outro. Acho isso lamentável.

LB – E os mecânicos não chegaram a conversar com você sobre a “marmelada”?

Eles devem ter conversado sobre isso, mas comigo, não. Eles devem ter discutido isso entre eles, obviamente, e falado “acho isso ou acho aquilo”. Não foi um assunto tão grande a ponto de chegar até mim.

LS – E a reação do próprio Rubens?

Ah, o Rubinho sempre fala aquilo tudo que pensa. Ele até se prejudica muitas vezes por falar demais para a imprensa e a torcida sobre o que sente ou pensa. Então, o que eu tenho a falar vocês já sabem. Tudo aquilo que ele sentiu e passou em relação a isso. Não tem nenhuma novidade.

LB – Depois do episódio, o Rubens ainda venceu corridas naquela temporada.

Mas eles [da Ferrari] estavam sobrando muito, né? Aquele carro sobrava muito.

“É MUITO FÁCIL PARA NÓS, DE FORA, DIZER QUE NUNCA TIRARÍAMOS O PÉ COMO O RUBINHO FEZ. LÁ DENTRO, VOCÊ PENSA EM TUDO O QUE VIVEU PARA CHEGAR A UMA EQUIPE COMO A FERRARI, A GRANA QUE GANHA… QUANDO O CORTE É NA GRANA DO OUTRO, É FÁCIL FALAR”

LS – Mas nas conversas com os amigos, ele ficou remoendo o assunto?

Acho que ele remói até hoje. Tenho certeza que ele se pergunta se deveria ter tirado o pé ou não ou renovado o contrato com a Ferrari ou não. Enfim, até hoje, ele tem isso na cabeça dele. Só o defendo falando uma coisa: é muito fácil para nós agora, aqui de fora, dizer “Ah, imagina se eu tiraria o pé no lugar do Rubens”. É fácil, coloco isso na posição de órgão de imprensa ou de torcedor. É muito fácil. Mas quando você está lá dentro, vê o negócio acontecer e pensa em tudo aquilo que viveu para chegar a uma equipe como a Ferrari, a grana que você ganha. Porque quando [o corte] é na grana do outro, é fácil falar. Então diante de tudo que você tem ali, desperdiçar a oportunidade de correr em um time de ponta na F1 para não aceitar uma ordem de equipe é muito difícil. Não estou dizendo que é impossível, mas é muito difícil. Então o cara acaba se remoendo até hoje, porque ele mesmo talvez tenha suas dúvidas por pensar de um jeito agora ou de outro. Agora definir qual é o lado certo é difícil de responder.

BF – No fim de 2004, você também passou a comentar os GPs na Globo. Como surgiu esta oportunidade?

Nunca me procuraram, me ofereceram ou deram ideia. Voltando para cá [Brasil], comecei a assistir as corridas e, vendo a narração do Galvão [Bueno] e do Reginaldo [Leme], percebi que algumas coisas passavam em branco. E não havia como eles narrarem, pois nunca pilotaram um carro, como eles iriam fazer? Então, enviei um e-mail ao Luiz Fernando Lima, diretor de esportes da Globo, falando: “Queria conversar com você, etc., porque vocês são a Rede Globo, né? O Galvão, o Regi. Eu tenho 37 anos de idade, o Regi tem 39 de F1. Os caras são muito bons no que fazem, mas faltava alguma coisa”. O Luiz Fernando então marcou um almoço comigo e com o Marco Mora, outro diretor. Tentei ser meio delicado para criticar, falei o que achava e eles me perguntaram se eu não queria fazer um teste. Respondi que iria pensar, mas na verdade fui me preparar.

BF – Se preparou como?

Fiz umas aulas de fonoaudiólogo, me informei de algumas coisas que tinha de fazer, fui estudar… Vocês jornalistas são formados, entendem de comunicação, seja escrita, seja o que for. Comunicação tem início, meio e fim, eu não sabia porra nenhuma. Então comecei a me informar, assistir a jogos de basquete para ver o narrador e o comentarista falando coisas que me atraíssem, como passar a informação para um cara que não entenda do esporte. Comecei a ler muito mais para entender um pouco de texto. Não entendo o que vocês entendem, mas ganhei conhecimento e, no fim de 2004, eles me ligaram novamente: “Você não quer fazer o teste?”. Então fiz três corridas como convidado e, em seguida, fui contratado para a temporada seguinte. Aí você vê algumas coisas interessantes. Não me dou mérito em relação a isso, mas na Olimpíada seguinte, a de 2008, a Globo passou a ter um ex-atleta em todos os esportes. Foi muito por conta disso, porque eles perceberam o quanto é importante ter alguém com o olho de ter feito aquilo antes. Já tinha o Casagrande e o Falcão no futebol, mas futebol é futebol, é outra coisa, outro mundo.

LB – No início da sua atividade da Globo, você via alguma desconfiança por parte do Reginaldo e do Galvão?

Nunca tivemos problemas na prática. O Reginaldo, com quem me dou muito bem hoje em dia, ficou incomodado. Ele não sabia com quem tava lidando. O Regi ficou preocupado por um tempo, mas, por mais que eu tenha conversado com ele sobre o assunto, ele viu que aquilo não era um problema, mas uma coisa saudável com o tempo. Hoje em dia nos damos superbem. Por uma questão de relacionamento, é muito bem dividido. Cada um tem a sua parte. Se tornou um negócio saudável pelo cuidado dos dois. Principalmente meu. Eu tenho que ter mais cuidado com ele do que ele comigo, obviamente. Deu supercerto. Mas, no começo, foi desconfortável para ele.

LB – E para você?

Para mim, não. Para mim, era tudo novo. Eu sempre estava aprendendo com eles. Aprendo até hoje. Eles entendem de televisão, de jornalismo. Tem toda uma vivência e tal. Sempre que olhei para eles foi de um jeito bom, tentando aprender. Nunca me incomodaram. ‘Ah, o Galvão te enche o saco as vezes.’ A gente se dá superbem. Até o jeito dele ser, eu entendo bem. Ele gosta de vez em quando de dar uma apertada, uma reclamada, falar, discordar. Mas é o Galvão, cara. O que posso dizer que hoje os dois são meus amigos.

BF – Você é um personagem que fala com o público, mas que pouco antes já esteve dentro deste ambiente. Como você faz para medir o que pode falar e não, aquele segredinho que você sabe, mas não fala para dar problema para alguém? Como é o seu critério?

Tentar usar o bom senso e o equilíbrio. Se você usar equilíbrio em tudo que faz na vida, vai se dar bem. Achar ele que é difícil! Tem coisa que eu sei e não falo. Que sei que, se falar, não vai somar tanto e vai dar problema lá dentro. Tem jornalista que se queima muito fácil com isso. É o tal do furo. O cara faz qualquer coisa para dar o furo. E tá lá, dura um mês, vai ser esquecido, mas ele nunca mais vai ser perdoado, bem recebido por um piloto, uma equipe, seja o que for. Não pode deixar de usar a informação, mas tem que saber trabalhar ela. Algumas coisas que eu sei, não preciso falar exatamente, mas por ter o conhecimento… Tudo que eu for comentar é baseado em conhecimento, mas às vezes eu não preciso falar sobre ela.

“TEM COISA QUE EU SEI E NÃO FALO. SEI QUE, SE FALAR, NÃO VAI SOMAR TANTO E VAI DAR PROBLEMA. TEM JORNALISTA QUE SE QUEIMA MUITO FÁCIL COM ISSO. O CARA FAZ QUALQUER COISA PARA DAR O FURO”

LS – E na hora de avaliar o desempenho dos pilotos? Alguns deles, imagino que sejam seus amigos, você já se sentiu em uma posição de ver que o cara está mal, mas não querer falar mal dele?

Pode acontecer, mas eu sempre falo o que eu penso. Eu penso o seguinte: o que eu daria o direito desse cara falar de mim se eu estivesse no lugar dele? Fazer essa barbeirada que ele acabou de fazer, eu também já fiz, e qualquer um mundo faz. Ou estar em um final de semana ruim, que eu também já tive. O que esse cara poderia falar de mim? Ficar quieto? Não, ele tem que me criticar, pois é o trabalho dele. Eu inverto um pouco a situação e ver o que eu aceitaria ouvir dele. Ele me criticou mesmo, mostrou o que eu fiz, deu a opinião mesmo, mas não faltou com respeito, foi maldoso. Não deixo de falar nada.

LS – Por parte da Globo, nunca existiu nenhuma instrução, como para pegar leve com os brasileiros, algo assim?

Não, zero. Nunca fui instruído para nada, quase. As instruções da Globo são sempre pensando na parte da televisão, a parte técnica.

LB – O que você faz para traduzir alguns termos técnicos da F1 para…

Arroz com feijão? É difícil. É a parte mais difícil. Eu tento me lembrar de eu conversando com meus amigos pessoais. Além de ser difícil, o espaço é muito curto. Você não tem tempo de ficar ããããããã… É “pá, pá, pá”. Às vezes sai direito, às vezes sai mais ou menos e às vezes sai ruim. A parte mais difícil é essa.

LS – E você curte fazer as transmissões?

Curto. É um desafio. Por mais que eu diga que não tive formação, comecei a andar de kart, em pouco tempo, ganhei uma corrida. Minha primeira corrida na Europa, eu ganhei. O primeiro teste que eu fiz com um F1, andei bem. As coisas vão acontecendo sempre por uma forma natural, por uma questão de talento, de capacidade. Não acho que sou talentoso para a televisão. Não acho que tenho talento para me comunicar. Minha fala não é a ideal. Os caras tem vozeirão, falam com a boca aberta. Eu falo com a boca fechada. Falo rápido, curto. Não me sinto talentoso. Por isso é um baita de um desafio. É a Globo. F1. Estou ali do lado do Galvão e do Reginaldo. Não sei quantas milhões de pessoas estão vendo essa porcaria. Então, é uma responsabilidade grande.

LS – E esse novo formato da transmissão. Acho que até por uma questão de audiência, estão tentando dar uma levantada…

Sim.

LS – Entrando 20 minutos antes, neste novo formato você acaba sendo até mais acionado. Aparece mais diante da câmera.

É um novo desafio também, é difícil de fazer.

LF – Até entrevistas, né?

Então… Estou aprendendo ali enquanto a coisa está acontecendo. Acabei de falar, não sou muito talentoso para o negócio. Não dá muito para você se preparar, de fazer cursos. Um cara para chegar naquela posição na F1, já passou, quem sabe, pelo Globo.com, depois pelo jornal regional, SporTV, Globo Esporte, Bom Dia Brasil, Jornal Nacional… Eu não. Caí ali direito.

BF – Você tem alguma inspiração, como o Martin Brundle, que é ex-piloto de F1 e que também comenta na televisão inglesa?

Não o vejo muito. Até tem como ver, mas não tenho paciência de ver depois que volto da pista. Quero esquecer um pouco aqui, descansar, que depois já vem a próxima. Mas a melhor televisão de F1 no mundo é a inglesa. O Brundle faz superbem. Quem está fazendo bem é o [Johnny] Herbert, agora. O [David] Couthard não leva tanto jeito, ele mesmo me fala que é meio travadão. Eu converso muito sobre a parte técnica com o Gary Anderson, que agora está na “BBC”. Muitas coisas eu pergunto para ele. Mas a melhor televisão de F1 é a inglesa e também por outro motivo: o público deles tem um nível melhor de automobilismo. A gente conversando aqui, entre nós, é uma coisa, mas se colocarmos a sua mãe, sua tia, um amigo, é outra coisa.

BF – Lá tem mais a cultura disso.

Eles conhecem mais de automobilismo, isso ajuda eles a terem uma qualidade melhor. Aqui, temos que ser muito arroz com feijão.

“COM EMERSON, PIQUET E, PRINCIPALMENTE, SENNA NÃO PRECISAVA FAZER NADA PARA QUE A AUDIÊNCIA BOMBASSE NA HORA DA CORRIDA. A GLOBO SE ACOSTUMOU COM ISSO. FALTOU VISÃO TÉCNICA PARA FAZER QUE AQUILO FICASSE MELHOR? SIM, MAS ELES ENTENDEM DE TELEVISÃO, NÃO DE F1?

LS – Principalmente depois da morte do Senna, o Brasil ficou sem um piloto top por algum tempo. E a Globo sempre insistiu na história que o brasileiro ia chegar lá, mesmo com o Barrichello na Stewart ou na Jordan. Com isso, talvez não tenha explicado tão bem a categoria para o público e fazer o público gostar mais da categoria e não só torcer pelos brasileiros. Você acha que esta postura criou uma pressão extra nos pilotos brasileiros?

Bem, vamos lá. Vamos ver se eu respondo direito. [pausa] Nunca a Globo fez algo porque não precisava. A audiência dita muito o que precisa ou não. Teve Emerson, Piquet e principalmente na época do Senna, bombava. Não precisava abrir a transmissão 20 minutos mais cedo. Não precisava fazer nada para que aquilo bombasse na hora da corrida. A Globo se acostumou com isso. Faltou uma visão técnica para fazer que aquilo ficasse melhor? Sim, mas os caras entendem de televisão, não de F1. Conforme foram acontecendo as coisas, não foi o ideal para a formação do público e tal .

LS – Isso chegou a prejudicar os pilotos brasileiros que vieram depois?

Talvez prejudique um pouco, mas o que mais prejudica o piloto brasileiro é a nossa cultura. Não podemos discutir se está certo ou errado. Cada país tem um jeito de ser. Aqui no Brasil, só vale a vitória, seja o esporte que for. Tanto é que brasileiro fala: “Ah, eu gosto de F1”. Não é muito verdade. Gosta de vitória, pois teve Emerson, Piquet e Senna. Agora, não tem brasileiro vencendo, a audiência cai. Brasileiro gosta de futebol porque o Brasil é o país do futebol. Mas aí de repente gosta do vôlei porque está ganhando. Gostava do tênis na época do Guga. Agora, acompanha natação por causa do Cielo. Brasileiro segue vitória. Na Europa, quando os caras gostam de um esporte, os caras seguem. Eu sempre uso um exemplo. Lembro uma vez, em Brands Hatch, corrida de F3, 8h da manhã, um frio, chuva, e na arquibancada tinha uns caras com guarda-chuva, capa de chuva, geladeira térmica, sanduichinho e café para ficar lá o dia inteiro. E não estavam para torcer para ninguém. Se tivesse algum piloto, estariam no box. Eles estavam lá para ver corrida de carro. Os caras gostam de corrida. Eu não estaria no lugar deles. Eles gostam mais do que eu! Isso é gostar de um esporte. Aqui no Brasil, não. Os caras vão mais pelo “auê”, pelo negócio, pela mulherada, pelo programa, pelo status de estar lá. São muito poucos os que seguem de verdade. O país tem problemas no dia a dia e boa parte do público não é realizado na sua vida pessoal, no seu trabalho. Diferente do europeu que tem um outro nível de qualidade de vida. E o brasileiro, por ser mais carente, busca mesmo. Os caras viam o Senna, mal ganhavam um salário mínimo, viam o cara lá subir no pódio com a bandeira brasileira, era uma vitória do cara. Em algum momento, o cara se sentia mais orgulhoso de ser brasileiro. Se ele não está vencendo, o cara procura outra coisa. E quando não tem vitória, caem de pau em cima. Descem a lenha sem conhecimento.

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