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Aumento de casos de violência contra mulher revelam falhas estruturais

Aumento de casos de violência contra mulher revelam falhas estruturais

06 dezembro 2011 - 10h32Por MS Já
Na semana passada a população douradense se espantou com o caso da estudante que foi espancada durante uma formatura. Embora o rapaz acusado tenha negado o crime, o caso está sendo investigado pela polícia.

Para se ter uma ideia da violência, a garota teve sua mandíbula fraturada em quatro lugares e quatro dentes perdidos e esse fato é apenas um dos inúmeros casos de violência contra as mulheres que acontecem em Dourados.

De acordo com o que a delegada Franciele Santana, da Delegacia Especializada de Atendimento a Mulher (Deam), esse abuso tem aumentado a cada ano na cidade e comparados com o ano passado, 2011 foi um ano em que mais teve registros. São mais de 1500 por violência doméstica, além de outros mil inquéritos.

De acordo com informações obtidas pelo MS Já, a Delegacia passa por problemas estruturais no local onde funciona e também com deficiência de funcionários e atendimentos especiais, como em casos em que precisa receber vítimas de abusos ou indígenas. “Os casos aumentaram e o número de inquéritos policiais também, ainda mais para delegacia com poucos funcionários, delegada e uma investigadora", afirma Francieli.

Em razão do volume de documentos, segundo ela, esse número de funcionários deveria aumentar e não ser desproporcional. Ela explica ainda que a violência sempre existiu, o que mudou é que as mulheres estão cada vez mais procurando a polícia em razão da informação que chega, por meio da mídia, até elas.

Indígenas

Outra falha seria com a questão indígena. A delegada acredita que nas aldeias a violência é maior que na cidade, mas caso eles chegassem até a Deam não teria efetivo para atender a demanda. “Não temos ninguém que fala guarani aqui, quando atendemos uma indígena ela muitas vezes não entende o que perguntamos. É necessário que exista um trabalho conjunto, do poder público, municipal para fazer trabalho de consciência nas aldeias”, explica.

Os dados, segundo ela, não podem ser comprovados. Mesmo sendo comum, elas talvez por falta de conhecimento e por não entenderem o idioma acabam não denunciando. Outra face desses dados são referentes ao medo e ao consumo de álcool e drogas. “Um dos motivos dessa violência em casos relatados na delegacia teve seu estopim com o consumo excessivo desses derivados”, enfatiza a delegada.

Os crimes

Em geral os crimes que mais ocorrem e que levam as mulheres a denunciar são os de ameaça, lesão corporal, ofensa a dignidade da pessoa humana que configura em injúria e que, de acordo com a delegada, é um dos mais comuns.

“Muitas mulheres não sabem que além da violência física, a agressão moral também se configura em crime. Falar para a mulher que ela não sabe lavar roupa, por exemplo, que a comida é ruim, xingamentos, humilhações também é crime”, conta a delegada.

Outro detalhe considerado importante para a delegada, porém, é que boa parte das vítimas que registram boletim de ocorrência desistem de acusar o agressor, mas acabam voltando por apanharam de novo ou sofreram outro tipo de violência. “Essas mulheres voltam várias vezes e desistem inúmeras vezes de denunciar os agressores”, revela a encarregada.

Ela alerta para que as mulheres que se sentirem menosprezada procurarem a delegacia e denunciarem o agressor.

Procura

A delegada conta que algumas mulheres só chegam a delegacia quando o problema já está insustentável. “As mais velhas, que são casadas a mais tempo, são as que mais demoram para denunciar seus parceiros agressores. Elas toleram mais em razão da criação que recebeu, dos filhos, da família”, declara.

As mulheres de classe média alta são as que menos procuram a Delegacia, já que acabam contratando advogados para se separar. “Na minha opinião a melhor solução é a mulher se separar do agressor, só que tem casos em que a vítima depende economicamente dele. As menos favorecidas dependem do marido para dar comida para os filhos e aguentam essa situação”, afirma a delegada.

Centro de Proteção a Mulher

Toda mulher que vai até a delegacia de Dourados e resolve abandonar seu agressor é encaminhada ao Centro de Proteção a Mulher, que atende as vítimas com tratamentos psicossociais e depois as encaminham para a Defensoria Pública para tomar as medidas judiciais, como a separação, a guarda dos filhos, a pensão alimentícia e a medida protetiva.

As vítimas não ficam sem amparo. “A mulher que não tem para onde ir, não tem família, é encaminhada para a Casa Abrigo”, conclui Franciele.

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