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Cidade de MS tem 74 mil acima do peso

Cidade de MS tem 74 mil acima do peso

19 setembro 2011 - 10h26Por Dourados Agora
Pesquisa realizada em Dourados revela dados alarmantes sobre a qualidade de vida dos douradenses. De acordo com a estimativa, 74 mil pessoas com idades entre 20 e 60 anos estão acima do peso. A estimativa corresponde a 68% da população nesta faixa etária. Desse total, 43 mil pessoas apresentam-se com sobrepeso, 29 mil estão obesos (26,5%) e 1.5 mil são mórbidos (1,42%). Os dados antropométricos foram coletados por profissionais da área de saúde no Hemocentro de Dourados entre novembro de 2010 e fevereiro de 2011. Os doadores de sangue de ambos os sexos, tinham idades entre 18 e 65 anos. Os autores do estudo são o médico Jorge Luiz Baldasso e o bioquímico Roberto Alva.

Segundo os especialistas, se comparado com a média nacional, a situação de Dourados fica ainda mais grave. Em abril deste ano o Ministério da Saúde apresentou um índice de 54,1% de indivíduos acima do peso (42,7% com sobrepeso e 11,4% de obesos). Pesquisa do IBGE para a medição da obesidade no Brasil entre 2008 e 2009, mostrou um índice de pessoas acima do peso em 50,1% para o sexo masculino e 48% para o sexo feminino. O índice de Dourados em 68% é, portanto, muito acima da média nacional, segundo Baldasso.

Na opinião dele, se algo não for feito de forma imediata para mudar a qualidade de vida da população, Dourados corre sérios riscos de sofrer um “surto” de pacientes com diabetes, infartos, derrames, entre outras doenças cardiovasculares. “É preferível prevenir a obesidade do que tratá-la. É necessário a promoção de ações de saúde nas escolas, com orientação sobre dieta e atividades físicas, além de melhorias da estrutura urbana da cidade como as ciclovias, pistas de caminhada, estímulo ao esporte e adequar o programa de obesidade às necessidades do município”, destaca Baldasso.

Segundo ele, a pesquisa também mostra que mulheres e homens estão engordando praticamente na mesma proporção. “Isto se aplica inclusive nos anos de fertilidade feminina, o que sugere a gravidez não ser fator determinante no aumento de peso”, destaca. Do total de 74 mil acima do peso, a estimativa mostra que 38.6 mil são homens e 35.9 mil são mulheres. Dos 43 mil com sobrepeso, 23 mil são homens e 20 mil mulheres. Dos 29 mil obesos, 14.5 mil são do sexo feminino e 14.5 mil são homens. Dos 1.5 mil obesos mórbidos, 501 são do sexo masculino e 1 mil feminino.

De acordo com o relatório, houve aumento súbito de peso entre as faixas etárias de 25 a 29 anos e 30 e 34 anos, quando a variação de Índice de Massa Corpórea (IMC) atinge quase 2 quilos por metro quadrado. O índice de obesos, por sua vez, exibe um resultado ao inverso, ou seja, com baixo índice de indivíduos jovens e elevação gradativa de acordo com o aumento da faixa etária. A exceção é para pessoas na idades entre 60 e 64 anos, onde há um declínio acentuado na porcentagem de obesos.
PERFIL

Entre os pacientes que participaram do programa de prevenção e tratamento da obesidade da Secretaria Municipal de Saúde de Dourados, no período de novembro de 2009 e julho de 2011, constatou-se que a principal razão da procura do programa é por questões de vaidade e de baixa estima (53%). Outros 48,1% também disseram querer emagrecer por apresentarem sintomas ou enfermidade e, 42,7% por estarem preocupados com a saúde. A idade média dos pacientes é de 43 anos e 9 meses. Na maior parte dos casos a busca por tratamento é tardio.

A pesquisa também mostrou que as principais queixas de enfermidades referidos por estes pacientes são: dorese/ou patologias da coluna dorso-lombar (19,4%), dores e/ou patologias em membros inferiores (17,8%), hipertensão (12%), depressão (4,3%), hipotireoidismo (3,8%), diabetes (3,2%), outras enfermidades (9,7), indisposição, cansaço, prostração e falta de fôlego (42,1%). “A grande maioria dos casos de obesidade não está relacionado a doença prévia, mas da dieta inadequada e sedentarismo”, disse o médio Luiz Baldasso.

A perda média de peso entre os pacientes que aderiram ao programa – 1,95 quilos no primeiro mês - e a melhora significativa da indisposição, fadiga e dores que 74,3% deles relataram demonstra, segundo Baldasso, que o programa da Secretaria de Saúde, apesar de simples e de não se valer do uso de medicamentos, é eficiente e bem sucedido, embora não seja suficientemente abrangente para atender em larga escala o grande número de obesos que compõe a população do município.

Segundo ele, o tratamento da obesidade precisa ser levado a sério. O especialista observa que cada organismo responde de uma maneira ao tratamento, mas que de maneira geral, o paciente deve cumprir duas regras básicas para perder peso com saúde. A primeira é a de criar o habito diário de realizar atividade física. A segunda é manter uma dieta com alimentos ricos em nutrientes e fibras, com diminuição de gorduras e carboidratos. Segundo o médico, dependendo do empenho do paciente, pode-se alcançar o peso ideal em até 6 meses. “O ideal é que antes de qualquer iniciativa para perder peso o paciente procure o médico para avaliação. Emagrecer é fácil, o principal obstáculo é a falta de persistência do paciente”, define.
IMC

O Índice de Massa Corpórea (IMC) corresponde ao cálculo do peso dividido pelo quadrado a altura. Segundo o indicador, quem se encontra com índice abaixo de 18,5 kg/m metros quadrados, está com peso abaixo do normal; 18,5 a 24,9 é considerado peso normal; de 25 a 29,9 sobrepeso; de 30 a 39,9 é obeso e acima de 40 é considerado obeso mórbido.

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