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Estado precisa de 3,5 mil trabalhadores para máquinas modernas

27 agosto 2011 - 13h58Por Correio do Estado
A modernização dos campos de Mato Grosso do Sul segue em dois compassos: o da expansão acelerada de máquinas agrícolas e de caminhões eletrônicos e o da evolução tímida da mão de obra qualificada. Em 2010, os sul-mato-grossenses compraram 63% a mais de máquinas agrícolas e 26,8% a mais de caminhões que no ano anterior. Na maioria, são veículos computadorizados e equipados de diversos acessórios tecnológicos, o que exige conhecimentos adicionais à operação básica. Por outro lado, há capacitações esparsas, aquém do avanço da tecnologia. Resultado: déficit de aproximadamente 3,5 mil profissionais.

O diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de Mato Grosso do Sul (Senai/MS), Jaime Verruck, estima que o Estado precise de mais de 3 mil operadores para as novas máquinas. Além desses, pelo menos outros 300 são necessários para conduzir os caminhões eletrônicos, pelas contas do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes de Cargas e Similares do Estado de Mato Grosso do Sul (Sindicargas).

Essa demanda se relaciona ao crescimento das vendas de maquinaria agrícola no Estado. Conforme a Associação dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram vendidas, no Estado, em 2010, 1.743 máquinas agrícolas, 63% a mais que 2009, que fechou com 1.069 unidades comercializadas. Em todo o País, o faturamento das fábricas de máquinas agrícolas foi de US$ 9,3 bilhões em 2010, 30% a mais que os US$ 7,1 bilhões do ano anterior.

A venda de caminhões novos registrou avanço de 26,82% de 2009 para 2010, de acordo com a Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores (Fenabrave) - passou de 1.804 para 2.288. Neste ano, a comercialização de caminhões em Mato Grosso do Sul segue em bom ritmo. Apenas uma concessionária vendeu 613 unidades no Estado. "Acreditamos que as vendas possam ser 20% melhores neste ano", afirma o consultor de vendas da empresa, Tiago Rebouças. Segundo ele, cerca de 98% dos veículos vendidos são eletrônicos.



Nova demanda

Os modernos caminhões e máquinas agrícolas apresentam tecnologia que exige aprendizagem mais aprofundada. Há, por exemplo, caminhões com sensores de chuva (acionam o limpador de parabrisas no primeiro pingo d’água), sensores de faixa de rolagem (apita e acende luz no painel caso o motorista saia da faixa) , além de outros recursos. Entre as máquinas agrícolas, colheitadeiras fazem leitura da umidade de grãos e medem a produvidade durante a colheita.

As capacitações para adequação a tecnologias como essas são residuais. Parte delas é realizada pelas próprias concessionárias em cursos pontuais, voltados a seus clientes. São treinamentos rápidos e limitados. O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e o Senai/MS também oferecem cursos, mas ainda não conseguiram atingir a demanda crescente.

Em meio ao ingresso de máquinas modernas nos campos, a aprendizagem por conta própria tem sido uma saída. É o caso do produtor rural César Roberto Dierings, 44 anos, de Dourados. As colheitadeiras modernas de Dierings são operadoras pelos trabalhadores, que receberam treinamento da concessionária. Mas nem tudo foi aprendido na capacitação rápida. "Tem funções que eles não sabem, coisas mais complexas", afirma o produtor. Com isso, a eficiência oferecida pela máquina não pode ser ainda completamente aproveitada.


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