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Funcionários da Embrapa entram em greve por tempo indeterminado

26 junho 2012 - 11h02Por Dourados Agora
Funcionários da Embrapa, em todo país, entram em greve por tempo indeterminado, a partir de hoje. Em Dourados, são 154 trabalhadores estão mobilizados, em ato púbilco em frente a sede a instituição, informou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf), Sérgio Roque de Lima.

Segundo o comando de greve, recentes rodadas de negociação frustraram os servidores já que o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) entre o SINPAF e a Embrapa não avançou em quase nada. Apenas 31 das 87 cláusulas apresentadas pelos trabalhadores foram completamente acordadas, mas apenas mantendo a redação do acordo vigente.

A única entre elas que representa pequeno avanço é a cláusula terceira, que diminuiu de 15 para 10 dias (prorrogáveis por mais 10) o prazo para que a empresa preste esclarecimentos aos trabalhadores e ao sindicato sobre possíveis descumprimentos do acordo. A pauta do acordo foi entregue pelo SINPAF em 15 de fevereiro.

Há 20 cláusulas acordadas parcialmente, das quais somente dois parágrafos são novos. O total de cláusulas não acordadas chega a 35, somando os itens econômicos e sociais. No caso dos salários (cláusula quarta), a Embrapa manteve a proposta de reajuste zero acima da inflação. O SINPAF exige 5% sobre a correção pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA), que mede a inflação, para que haja ganho real efetivo.
Condições de trabalho

Cláusulas que incidem diretamente sobre o bem-estar e as condições de trabalho na Embrapa, também chamadas de clausulas sociais, seguem pendentes. Na cláusula 22ª, por exemplo, que trata do plano de assistência médica dos trabalhadores da empresa, não houve avanço. A mesma situação é verificada nas cláusulas que tratam do Assédio Moral (46ª), Advertência e Punições (47ª), Redução de Jornada (36ª), Licença para Atividades Culturais e Educativas (62ª), Liberação em dia de Pagamento (57ª), Quadro de Pessoal (50ª), Qualidade de Vida em campos Experimentais (85ª), Auxílio creche (27ª), Auxílio educação (29ª), Licença paternidade (61ª), Licença por Adoção (64ª), entre outras.

No que se refere à organização sindical, a Embrapa também não sinalizou avanço. Pelo menos três clausulas que tratam do tema, como representação sindical (70ª), direito à assembleia (71ª) e liberação para atividades sindicais ou sociais (72ª) não foram pactuadas no ACT. Outro tema que merece destaque é a democratização na gestão da empresa, como a cláusula que trata da representação sindical no Comitê Técnico Interno (CTI). Além disso, a Embrapa não aceitou três clausulas novas sugeridas pelo SINPAF,entre elas a que trata da participação de representantes dos trabalhadores nos principais colegiados que atuam no Sistema de Gestão Estratégica da empresa, como o Conselho Assessor Nacional (CAN), o Comitê Gestor de Estratégias (CGE) e o Comitê Gestor da Programação (CGP).
Greve por tempo indeterminado

Em assembleia realizada nos dias 21 e 22 de junho, a categoria deliberou pela greve a partir do dia 25. “O importante é que se faça agora um movimento unitário em nível nacional para que possamos convocar a Embrapa e o governo para sentar à mesa e avançarmos nas propostas sociais e econômicas e na garantia dos direitos sociais conquistados”, afirmou Vicente Almeida, presidente do SINPAF.

As três unidades de pesquisa em Mato Grosso do Sul adereriam ao movimento e em caravana viajam à Brasília no final desta terça-feira para acompanhar o andamento das negociações. Ainda nesta terça, em Campo Grande, os trabalhadores estarão concentrados na porta da empresa panfletando e organizando a viagem. Na quarta-feira, cada uma das unidades fará um movimento. A Seção Sindical Campo Grande, trará um especialista em direito trabalhista para falar sobre direito de greve do trabalhador e aposentadoria.Em Brasília onde está instalada a sede da empresa e onde ocorrerá a sexta rodadada de negociação, os trabalhadores esperam dos dirigentes um tratamento mais digno e com avanços. A categoria não aceitará retrocesso. O término da greve depende dos dirigentes da Embrapa.

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