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Ilha do Padre fecha em Bonito e dono agora se dedica à luta contra o celibato

Ilha do Padre fecha em Bonito e dono agora se dedica à luta contra o celibato

17 outubro 2011 - 14h20
Campograndenews

Com 2,6 hectares, um dos principais pontos turísticos de Bonito está fechado há um mês e meio. Os passeios não são mais vendidos a quem quer conhecer a Ilha do Padre. Apenas desembarque de botes é permitido pelo dono, o padre Roosevelt de Sá Medeiros, que agora diz se dedicar apenas a luta pelo fim do celibato na igreja Católica.

“Cuidei daquilo lá por 40 anos, não vou mais me sacrificar. Cansei de briga, vou tentar vender e pronto”, diz o padre sobre briga com o governo do Estado contra a desapropriação do lugar que recebia mais de 120 mil visitantes por ano.

A história da área começa com processo de usucapião há décadas, mas Roosevelt diz que herdou a área da família e transformou em complexo turístico com dez cachoeiras no Rio Formoso. “Ganhei dos meus pais, como herança, e desde então vivi pela ilha”.

Agora, quem responde pela área são os advogados, diz ele. Até Luan Santana foi apontado como um dos interessados na compram. O padre garante que não. “Nem conheço o Luan Santana, acho difícil ele ter tentado comprar sem que eu ficasse sabendo”.

O pai do cantor sertanejo também nega qualquer interesse. “Não tem nada disso não. O que o Luan já comprou por ai... tá de brincadeira. Um monte de gente já me ligou para perguntar isso, mas é mentira”, garante Amarildo Santana.

Segundo a Agência Ar, uma das principais operadoras de Bonito, até setembro ainda eram vendidos passeios para o balneário.

O secretário de Turismo do Município, Augusto Mariano, conta que os advogados do padre avisaram que, para conforto e sigilo aos candidatos à compra, o dono preferiu fechar o balneário para que os interessados visitassem o local com maior tranqüilidade. “Sabemos que alguns demonstraram interesse, pessoas do Brasil e de fora também”, comenta.


Na propaganda de venda, a corretora NSA coloca a área como “única”, ilha com 650 espécies de aves, 262 de peixes, 80 espécies de mamíferos, 50 de répteis e 1.7 mil plantas catalogadas e apresenta até o número de borboletas: 1.100. O padre diz que só vende o lugar por R$ 6 milhões, valor divulgado desde 2003, quando falou pela primeira vez da venda.

Na época, o governo Zeca do PT publicou decreto para desapropriação da Ilha, mas de lá para cá o processo não avançou. “Não houve a regularização, nem o pagamento do proprietário. Então não teve validade”, explica o secretário de Turismo.

O padre também já foi prefeito de Bonito. Um dos episódios protagonisado por ele ocorreu há 8 anos. A Polícia encontrou escondido embaixo da cama de Roosevelt, o ex-presidiário Gilson Pereira Padilha, de 23 anos, com cerca de 70 gramas de cocaína e maconha. O homem acabou acusando o ex-padre tráfico.

Roosevelt foi condenado em primeira instância e excomungado da Igreja Católica, em fevereiro de 2003. Recorreu e acabou inocentado por falta de provas. Em 2006 entrou com ação por danos morais contra o Estado, no valor de R$ 1,5 milhão.

Ao ser excomungado, Roosevelt criou em Campo Grande a Igreja Católica Apostólica Brasileira e no dia 14 de agosto deste ano foi nomeado bispo da congregação, que tem entre as diferenças com os católicos tradicionais a possibilidade de casamento aos padres e aos divorciados.

Desde que fechou a Ilha este ano, o Padre passou a se dedicar a outras causas. Hoje, ele viaja para os Estados Unidos para encontro que vai discutir ações pelo fim do celibato na Igreja Católica Romana. “Essa é minha bandeira. Já há um movimento dentro da própria Igreja Católica Apostólica romana para que o casamento seja liberado e vamos engrossar essa briga”, detalha.

Oito anos depois de colocar a Ilha do Padre à venda, Roosevelt diz não ter um destino definido para o dinheiro da negociação, apesar de ,já ter dito que pensava em construir uma sede da Igreja Católica Brasileira em Mato Grosso do Sul. "Quero me desfazer logo desse problema, só isso", resume.

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