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Traficante Nem pode esclarecer casos de corrupção policial, diz secretário de Segurança

Traficante Nem pode esclarecer casos de corrupção policial, diz secretário de Segurança

14 novembro 2011 - 13h20
Uol

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, disse nesta segunda-feira (14) que o traficante Antônio Bonfim Lopes, o Nem, preso na quinta-feira (10), pode ajudar a elucidar casos de corrupção envolvendo policiais civis e militares.

Em entrevista à “TV Globo”, Beltrame disse que o depoimento do traficante Nem pode ser uma "oportunidade importantíssima" para elucidar esses casos de corrupção e não descarta o oferecimento de alguma medida judicial para que Nem contribua com a Justiça e a polícia.



Para o secretário, a operação de Choque de Paz, que ocupou, no domingo, a favela na favela da Rocinha, em São Conrado, bairro da zona sul da capital fluminense, foi "um trabalho de inteligência e não de guerra".
Segundo reportagem publicada pelo jornal “O Globo” na sexta-feira (11), o traficante Nem disse em depoimento na sede da Polícia Federal que metade do que faturava com a venda de drogas era entregue a policiais civis e militares.

O traficante disse também que a propina tinha como destino final uma série de agentes públicos e que teve lucro zero em determinados períodos por causa da frequência de pagamentos. Segundo estimativas da Polícia Civil, não confirmadas no depoimento, o traficante faturava mais de R$ 100 milhões por ano.

Serviços são retomados

Os serviços de coleta de lixo nas comunidades da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu, nas zonas oeste e sul do Rio, foram retomados nesta segunda-feira. A prefeitura havia interrompido a limpeza dessas favelas no sábado (12) devido à ocupação da região.

De acordo com a prefeitura, 157 homens --entre garis comunitários e da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb)-- limpam os locais com o apoio de caminhões basculantes, compactadores, retroescavadeiras e minitratores. Os serviços de conservação de logradouros e de manutenção da iluminação pública têm previsão para começarem na quarta-feira (16).

A ocupação

A Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro colocou em prática na madrugada de domingo (13) o planejamento de instalação de uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) na favela da Rocinha.

Mais de três mil agentes das polícias Civil, Militar e Federal, além de fuzileiros navais operando blindados da Marinha, participam da ocupação.

A operação começou com incursões dos homens do Batalhão de Operações Especiais (Bope) em busca de traficantes que permanecem escondidos na favela.

Enquanto isso, policiais militares do Choque e dos batalhões da região ficaram responsáveis pelas ações no Vidigal e na Chácara do Céu. A comunidade foi cercada há alguns dias com o objetivo de evitar a fuga de traficantes durante a operação.

Os helicópteros "Caveirão" da Polícia Militar e Águia da Polícia Civil fecharam o espaço aéreo para apoio logístico. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, 18 blindados da Marinha --dos tipos Clanf, M-113 e Piranha-- participaram da operação. Os criminosos jogaram óleo nas ruas da Rocinha para prejudicar a locomoção dos veículos, e os policiais encontraram certa dificuldade para avançar. Uma moto que supostamente pertencia a traficantes foi queimada pelos próprios moradores.

Por volta de 6h45, o chefe do Estado Maior da Polícia Militar, coronel Pinheiro Neto, confirmou o sucesso da operação.

Segundo informações iniciais de policiais que trabalharam na megaoperação, apenas duas prisões foram realizadas, nenhuma das duas relacionadas com o tráfico de drogas. Um foragido por assalto à mão armada tentou escapar simulando mal estar e um homem foi preso com uma motocicleta irregular.

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