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Dois PMs acusados de matar juíza são isolados em presídio federal de MS

Dois PMs acusados de matar juíza são isolados em presídio federal de MS

16 dezembro 2011 - 17h58
G1 MS

Os dois policiais militares acusados de envolvimento na morte da juíza Patrícia Acioli e transferidos para o Presídio Federal de Campo Grande na noite desta quinta-feira (15), devem ficar no setor de triagem por aproximadamente 20 dias. Durante este período, a direção do estabelecimento irá definir parar qual ala eles serão levados.

A direção do presídio irá averiguar a relação dos PMs com os que já estão detidos no estabelecimento, procedimento que será feito para evitar, por exemplo, que eles tenham contato com algum detento que tenha sido do mesmo batalhão.

O tenente-coronel Claudio Luiz Silva de Oliveira, acusado de ser o mandante do crime, e o tenente Daniel Santos Benitez Lopes chegaram no presídio federal por volta da meia-noite (horário de MS) e seguiram direto para o setor de triagem.

O diretor substituto do presídio, Ricardo Marques Sato, disse que os dois ainda vão passar por exame de corpo de delito, mesmo que o procedimento já tenha sido feito antes do embarque no Rio de Janeiro.

No presídio, os policiais tiveram que raspar os cabelos e receberam uniformes azuis. Depois dos 20 dias de isolamento, sem direito a banho de sol e com direito a visita apenas do advogado, eles vão para o setor denominado vivência, dividido em quatro alas, específico para policiais e ex-policiais acusados e condenados.

Segundo Sarto, pelo menos 30 policiais estão hoje na vivência, entre eles, o ex-PM Ricardo Teixeira da Cruz, o Batman, acusado de comandar milícia que atuava na zona oeste do Rio de Janeiro. O diretor adianta que Lopes e Oliveira não devem ficar na mesma ala que Batman.

Dentre os quatro presídios federais de segurança máxima, Campo Grande é o único com ala reservada para ex-policiais ou policiais acusados, que devem ser mantidos separados dos demais por risco de eventuais ameaças.

Com capacidade para 208 presos, a Penitenciária Federal de Campo Grande abriga hoje aproximadamente 150 pessoas. As celas são individuais e os corredores são monitorados permanentemente por câmeras de segurança.

Morte
A juíza Patrícia Acioli foi assassinada no dia 11 de agosto, quando chegava em casa, em Piratininga, na Região Oceânica de Niterói. Ela foi atingida por 21 tiros.

Patrícia tinha um histórico de condenações contra criminosos que atuavam em São Gonçalo. Entrem os alvos investigados por ela estavam quadrilhas que agem na adulteração de combustíveis e no transporte alternativo, entre outros crimes.

Investigações apontam que a ordem para o crime teria sido do tenente-coronel Cláudio Oliveira, na época comandante do batalhão de São Gonçalo, cidade onde Patrícia atuava como juíza criminal.

Acusados serão julgados por júri popular

Na segunda-feira (12), o Tribunal de Justiça decretou que todos os 11 policiais militares acusados de participar da morte da juíza Patricia Acioli sejam julgados pelo júri popular. A decisão foi do juiz da 3ª Vara Criminal de Niterói, Peterson Barroso Simão. Os advogados que fazem a defesa dos PMs disseram que vão entrar com recurso contra a decisão.

Os 11 réus respondem por homicídio triplamente qualificado e por formação de quadrilha armada, já que também são acusados de ficar com o espólio do tráfico de drogas - armas e dinheiro apreendidos durante operações em favelas de São Gonçalo. Apenas o PM Handerson Lents, do batalhão de Niterói, não é acusado pelo segundo crime, pois segundo as investigações, ele não pertencia à quadrilha, somente teria conduzido, um mês antes do fato, três PMs à residência da vítima, com o objetivo de identificar e apontar o local.

Apenas o PM Sérgio Costa Júnior, o primeiro a aceitar o benefício da delação premiada, confessou sua participação no crime. Os outros 10 PMs envolvidos negam as acusações.


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