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Deputado Marçal Filho quer Parlasul atuante

14 setembro 2011 - 13h20
Deputado Marçal Filho quer Parlasul atuante

Divulgação:DN

O deputado federal Marçal Filho (PMDB) discursou no grande expediente da sessão de ontem da Câmara Federal e ganhou destaque no Jornal da Câmara em virtude da defesa firme que ele fez para que o Parlamento do Mercosul (Parlasul) ganhasse autonomia dos países do Mercado Comum do Sul (Mercosul) para atuar em questões que vão desde a segurança pública, combate às drogas e ao tráfico de armas, sanidade animal e educação.

“Como integrante do Parlasul, não posso me contentar com a fraca atuação desse mercado tão importante para Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina e Venezuela, por isso vou lutar para que possamos ter voz ativa na defesa de temas estratégicos para essas quatro nações”, enfatiza Marçal Filho.

Em reunião realizada ontem, foi escolhida a mesa diretora do Parlasul, sendo que a primeira vice-presidência ficou com o Senador Roberto Requião (PMDB-PR), a vice-presidência com o deputado Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) e a segunda vice-presidência com a Senadora Ana Amélia (PP-RS).

No pronunciamento, que foi elogiado por diversos deputados federais, Marçal Filho lembrou que a Comissão do Parlasul se reúne em Montevidéu, no Uruguai, com o objetivo de fazer com que as legislações desses países se aproximem cada vez mais com o objetivo de chegar ao que existe atualmente no Mercado Comum Europeu, com uma moeda apenas, com uma importante junção econômica. “Acho que esse momento é rico. À medida que países europeus estão passando por grandes dificuldades, à medida que um país poderoso, como os Estados Unidos, vem passando por problemas, é importante que fortaleçamos, cada vez mais, o Mercosul e para que isso ocorra o Parlasul precisa ser mais atuante, precisa de autonomia e, sobretudo, do aval dos países membros”, argumenta.

O deputado lembrou ainda que o Parlasul pode ser estratégico na definição de políticas de sanidade animal. “O Mato Grosso do Sul, por exemplo, tem a maior fronteira seca do Brasil com mais de 1,2 mil quilômetros, especialmente com a Bolívia e o Paraguai, mas não existe uma política de segurança pública para o Mercosul capaz de reprimir a entrada de armas, de drogas, de evitar doenças animais, que já trouxeram muitos prejuízos, especialmente ao nosso Estado”, enfatiza. “Como exemplo cito a febre aftosa, que impediu o Mato Grosso do Sul, durante um certo período, de exportar carnes para outros países, justamente pelo problema da falta de sanidade do gado advindo do Paraguai”, conclui o deputado.

Na visão de Marçal Filho, o Parlamento do Mercosul, que reúne 27 deputados federais que representam o Brasil, precisa debater legislações específicas para esse problema. “Eu moro próximo à fronteira, a 125 quilômetros do Paraguai, e sei o quanto a população sofre com o contrabando, o tráfico de drogas e armas, a falta de sanidade animal e de uma ação conjunta entre os países na questão da segurança pública”, analisa. “A febre aftosa entrou no Brasil por essa falta de controle do trânsito de animais do Paraguai e o problema só foi parcialmente resolvido com a participação do governo brasileiro, ajudando na vacinação do rebanho do vizinho país”, conclui.

Marçal Filho também revelou preocupação com a facilidade com que os moradores da fronteira compram uma arma no Paraguai. “Essas armas passam com muita facilidade do Paraguai para o Brasil porque não há um efetivo de segurança que possa fazer frente aos mais de 1.200 quilômetros de fronteira seca e, da mesma forma, as drogas que saem da Bolívia entram facilmente em território brasileiro por deficiência na fiscalização e, sobretudo, por falta de uma política conjunta de segurança pública entre os países do Mercosul”, argumenta.

As drogas, enfatiza Marçal Filho, formam hoje o principal problema social e de saúde pública no Brasil. “Antes, nosso país era apenas um corredor para o tráfico, mas hoje o Brasil é um grande consumidor e está vendo seus jovens sendo cooptados pelo tráfico de drogas, vendo famílias serem dizimadas pelo tal do crack, que nada mais é do que um derivado da cocaína”, alerta Marçal Filho. “Se não tivermos a colaboração de países como Bolívia e o Paraguai, dando-lhes outras alternativas econômicas, continuaremos com esse grave problema”, analisa.

A situação dos estudantes do Mercosul também preocupa Marçal Filho. “Dia desses, apareceu na televisão uma reportagem sobre a questão dos estudantes brasileiros que estão matriculados em universidades da Bolívia, da Argentina, do Paraguai, são acadêmicos das mais diversas áreas, mas, principalmente, de medicina, que foram para lá ou porque não conseguiram passar nos vestibulares das universidades federais ou estaduais, ou porque não conseguiram pagar as altas mensalidades das universidades particulares”, argumenta Marçal Filho. “O preocupante é que quando eles retornam não veem seu certificado, seu diploma reconhecido pelo Ministério da Educação do Brasil, já que a dificuldade para ser aprovado no exame realizado para revalidação é muito grande”, finaliza o deputado.


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