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Nova cirurgia dispensa anestesia geral para reparar tímpano furado

Nova cirurgia dispensa anestesia geral para reparar tímpano furado

19 janeiro 2012 - 17h00
G1


Uma nova técnica cirúrgica para reparar perfurações no tímpano desenvolvida no Canadá pode ser realizada em apenas 20 minutos e sem a necessidade de internação do paciente, informaram médicos nesta semana. O procedimento usa tecidos gordurosos humanos para cicatrizar o furo na membrana dentro do ouvido, uma das principais estruturas envolvidas na audição.

A cirurgia já é usada como primeira opção no tratamento de tímpanos furados no centro hospitalar universitário Sainte-Justine, em Montreal, onde foi desenvolvida pelo médico canadense Issam Saliba.

Ele já realizou 418 cirurgias e obteve até 92,7% de sucesso em adultos. Entre crianças, a taxa baixa para 85,6%.

Saliba acredita que vantagens financeiras e para o paciente justificam a adoção da técnica.

“A anestesia é local e a operação pode ser feita em uma simples visita ao ambulatório de um otorrinolaringologista”, diz o canadense, em entrevista ao G1.

Há seis anos desenvolvendo o procedimento, Saliba publicou o primeiro estudo clínico sobre o assunto em 2008. Em dezembro de 2011, dados mais recentes do médico foram revelados na revista científica "Arquivos de Otorrinolaringologia: Cirurgia de Cabeça e Pescoço" e relatam o sucesso da técnica em pacientes infantis.

A diferença principal da cirurgia está no uso de ácido hialurônico, substância que acelera a cicatrização da membrana. Segundo Saliba, a técnica é eficiente até mesmo para lesões que afetem mais de 75% do tímpano.

"Desde 1962, os médicos já tentam fazer esse procedimento usando somente gordura, mas atingiam um índice de apenas 50% de sucesso e conseguiam reparar apenas rupturas pequenas", afirma o pesquisador.

Para poder observar o canal auditivo, Saliba utiliza um microscópio. Após a operação, o paciente precisa tomar antibióticos durante uma semana, para reduzir as chances de infecções posteriores.

"É importante não deixar essas perfurações sem tratamento pois a membrana não é importante apenas para a audição, mas protege o interior do ouvido de agentes externos como bactérias", explica. O paciente deve retornar dois meses após a cirurgia para uma nova consulta.

Risco de perda auditiva
Quando sons entram no ouvido, o tímpano transmite a energia sonora aos três menores ossos dos humanos. Esse trio é responsável por levar o impulso sonoro às estruturas internas do ouvido, que por sua vez irão passar a informação até o cérebro.

Infecções causadas por bactérias, o uso descuidado de cotonete e objetos pontiagudos no canal auditivo e até mesmo um enfraquecimento progressivo da membrana são as principais causas de rompimento do tímpano.

Dependendo do local onde a perfuração no tímpano acontece, mesmo furos pequenos podem causar sérios problemas, desde perda de audição até risco de morte.

"O tímpano pode ser dividido em quatro quadrantes e, embora seja mais difícil de ser comprometido, o quadrante postero-superior é o mais perigoso ao ser atingido", explica Marcelo Miguel Hueb, presidente da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (Aborl-CCF).

O brasileiro chama a atenção para o perfil dos pacientes que podem se beneficiar da técnica desenvolvida por Saliba.

“Deve ficar claro que isso serve apenas para tratar perfuração no tímpano”, afirma o médico. “A pessoa não pode ter histórico recente de infecção no ouvido ou problemas nas vias aéreas respiratórias."

"Se for feita uma boa seleção de pacientes por parte do otorrinolaringologista e se os serviços públicos tiverem acesso aos materiais necessários, a técnica com ácido hialurônico seria um grande avanço da população", diz Marcelo. "Filas de esperas seriam menores e o paciente iria aproveitar uma cirurgia que é tão bem-sucedida quanto as técnicas já existentes no Brasil."

Segundo Marcelo, a prevalência de pessoas com algum tipo de perda auditiva chega a 20% no Brasil. "Uma das causas para a diminuição na audição são justamente as perfurações no tímpano", diz.

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