sexta, 19 de abril de 2024

Polícia suspeita que cantor sertanejo foi vítima de homicídio

13 dezembro 2012 - 13h00
G1



A Polícia Civil acredita que o cantor sertanejo José Bonifácio Sobrinho Júnior, conhecido como Boni Júnior, foi vítima de homicídio. Boni tinha 28 anos e morreu no dia 28 de outubro deste ano. Segundo versão da Polícia Militar (PM) na época, ele se envolveu em um acidente com um carro da corporação após furar um bloqueio policial na GO-515, que liga Panamá a Goiatuba.

No entanto, a Polícia Civil contesta a versão, pois ficou comprovado pela perícia técnica que a cena da morte foi alterada e que o cantor foi alvejado com um tiro na cabeça. Na quinta-feira (13), os PMs participarão da reconstituição da morte. Corpo do sertanejo deverá ser exumado para ajudar nas investigações, mas a data ainda não foi definida.

Na época do acidente, os PMs contaram que o cantor estaria fazendo manobras perigosas na cidade de Panamá e, quando percebeu a presença da polícia, teria tentado fugir para Goiatuba. De acordo com eles, uma barreira foi montada na pista para deter o músico, mas ele não teria parado e bateu no carro da polícia. Os PMs contaram também que Boni Júnior atirou contra os carros da polícia e, por isso, os militares teriam disparado contra o carro que ele conduzia.

O G1 não conseguiu falar com a família de Boni Júnior até a publicação desta reportagem.

Segundo um dos delegados responsáveis pelo caso, Ricardo Chueire, há a hipótese de que a arma supostamente usada pela vítima para atirar contra os policiais tenha sido plantada.

“Desde o dia da morte, a família imaginou que tinha algo errado e a perícia comprovou alteração no local da cena do crime. A versão é que ele estava fugindo de outra viatura e teria atirado contra os policiais da barreira. Segundo a PM, ele veio atirando e eles tiveram que abrir fogo. Mas no carro da vítima não tem sinais de disparo de arma de fogo e ele foi atingido na cabeça. A perícia comprovou ainda que os tiros na viatura não foram disparados por ele, pois isso seria fisicamente impossível”, explica Chueire.



Exumação

De acordo com o delegado Gustavo Carlos Ferreira, que também acompanha as investigações, na época, não se falou do tiro que o cantor recebeu na cabeça porque ele teve um traumatismo craniano. “Se sabia que os policiais tinham aberto fogo contra a vítima. Mas na perícia ficou constatada a perfuração por arma de fogo na cabeça, sem local de saída do projétil”, detalha.

Em função disso, a Polícia Civil informou que também fará a exumação do corpo de Boni Júnior, uma vez que a bala não foi retirada. “Isso vai nos ajuda a saber de qual arma saiu a bala e quem o matou”, explica Chueire.

Durante a reconstituição, a polícia vai confrontar as provas apresentadas pela perícia técnica com a versão contada pelos policiais militares. O resultado tem prazo de 10 dias para ficar pronto. Se ficar constatado o homicídio, os PMs podem ser autuados e responder por homicídio qualificado e fraude processual. “Já está provado que a cena do crime foi alterada. Mas temos que delimitar quem o matou. Vamos comprovar de uma vez por todas a alteração do local do crime, que provavelmente aconteceu para encobrir o homicídio”, explica Chueire.

O corregedor da Polícia Militar de Goiás, Coronel Lourival Camargo, informou ao G1 que caso seja comprovado que Boni Júnior foi vítima de homicídio, os policiais envolvidos serão penalizados: “A mesma preocupação que a Polícia Civil tem em desvendar o caso nós também temos, pois a instituição não é conivente com essa conduta. Se de fato eles tiverem envolvimento no crime, serão submetidos a procedimento ético e a até a uma provável exclusão da corporação”.

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