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Presidente de partido na fronteira reclama de 'traição' e diz ter medo de morrer

Presidente de partido na fronteira reclama de 'traição' e diz que tem medo de morrer

19 abril 2012 - 15h30
Midiamax


O presidente do Diretório Municipal do PC do B em Ponta Porã, Cláudio Rodrigues, diz ser um “refém do medo” após se envolver em suposta disputa política que antecede a sucessão na Prefeitura da cidade, a 340 quilômetros de Campo Grande e na fronteira com o Paraguai. Ele reclama do tratamento que recebeu de antigos aliados de campanhas eleitorais.

Cláudio Rodrigues, ou Claudinho, como é chamado, falou com a reportagem na semana passada, após boatos em Ponta Porã envolve-lo como um dos suspeitos de ser mandante do assassinato do jornalista Paulo Rocaro, membro do diretório municipal do PT ponta-poranense.

Ele nega qualquer envolvimento e mantém que os rumores, contra ele e a esposa Sudalene Machado, também petista, teriam motivação política.

A trajetória política de Claudinho começou em São Paulo nos anos 90, como liderança comunitária, cabo eleitoral e assessor do atual deputado federal Willian Boss Woo (PPS-SP), que é ligado à segurança pública paulista.

Segundo conta, ele chegou a concorrer eleições em São Paulo e resolveu se mudar para Ponta Porã após ser envolvido em um problema que teria colocado a vida dele em risco.

Além de ser casado com a advogada Sudalene Machado, que foi candidata a vereadora nas últimas eleições pelo PPS, mas não se elegeu, Cláudio acabou se envolvendo na campanha de lideranças regionais sul-mato-grossenses.

“Eu me considero uma pessoa que gosta de fazer política. Minha esposa foi candidata a vereadora, e logo em seguida, Álvaro Soares foi candidato a deputado estadual, onde eu trabalhei na campanha deles, onde eu vesti a camisa do Alvaro Soares, e a camisa do Edson Giroto, e do governador André Puccinelli”, conta.

Dono de uma empresa de propaganda que possui caminhões de som e trios-elétricos, e de um posto de combustível, Cláudio Rodrigues diz que ‘se empolgou na política ponta-poranense’ e reclama da forma como diz ter sido tratado pelos candidatos que ajudou.

“Por eu gostar de política, participar de política desde 1996, não achei justo chegar em Ponta Porã e não participar”, relata. Ainda de acordo com Cláudio, conhecido por alguns como ‘Meia-Água’, já com o resultado das últimas eleições, ele teria saído fortalecido eleitoralmente na fronteira.

“Depois dessa campanha do Álvaro Soares, do Edson Giroto, aonde ele foi a Ponta Porã, e de lá saiu com 6.300 votos, dos quais eu posso garantir que 50% dessa votação são de minha responsabilidade. Com isso, eu cresci politicamente. Com essa votação, eu ganhei a confiança, eu ganhei a credibilidade com o Edson Giroto, com o governador André Puccinelli”, relata.

Porém, ‘Meia-Água’ acusa os antigos aliados de terem lhe prometido contrapartidas que nunca teriam sido cumpridas.

“Com essa votação eu ganhei a confiança, eu ganhei a credibilidade com o Edson Giroto, com o governador André Puccinelli, e depois dessa credibilidade, recebemos propostas do Edson Giroto de que ele iria levar minha esposa para trabalhar em seu gabinete em Brasília, de que ele ia me dar subsídio político em Ponta Porã, de que iria me dar a presidência do partido PR, e daí por diante. Fato que não ocorreu”...

Passado e jaguané

Segundo Cláudio, para tentar diminuir o espaço político que ele e a esposa estariam conquistando, adversários teriam começado uma campanha difamatória contra os dois.

“Eu acho que o Giroto se afastou de mim por causa de alguns comentários, de algumas fofocas que saíram em Ponta Porã, falando de um passado meu. Um passado aonde eu me envolvi em alguma situação, em que eu fui julgado, que eu tinha um processo em andamento. Mas isso eu já tinha até dito pro Giroto, porque eu sou uma pessoa muito transparente”, explica.

Meia-Água diz que “tomou um jaguané”, usando uma expressão fronteiriça para indicar uma traição, um ‘tombo’, ou a quebra de um acordo.

“O Edson Giroto me deu um jaguané. Por que a promessa de levar a minha esposa pro gabinete dele em Brasília, ele não cumpriu. Ele levou ela e ela abriu uma firma de prestação de serviços jurídicos pra ele em Brasília. A promessa de que ele ia me dar respaldo político em Ponta Porã, ele não cumpriu. O partido PR, que era o partido político que ele ia me passar a presidência, acordado com o deputado Londres Machado, ele acabou passando esse partido pro Álvaro Soares”, afirma.

Com relação ao passado que teria sido usado para difamá-lo, Cláudio confirma que possui duas passagens policiais antigas por agressão e roubo, pelas quais diz que já respondeu e foi absolvido.

Além disso, responde desde 2004 por um crime de homicídio em São Paulo. O empresário chegou a ficar preso durante um ano e dez dias no 8º DP da capital paulista. “Não foi pena. Eu estava detido até o julgamento”, explica.

Apesar disso, Meia-Água garante que vive atualmente sem problemas com a justiça nem envolvimento com nenhum tipo de atividade ilícita. “Se eu fosse bandido, eu estaria escondido, não estaria pondo minha cara em nada. Porque é assim que vivem os bandidões dessa fronteira. Eles sim, vivem escondidos, sem aparecer”, dispara.

Movimento PT

Cláudio conta que, após a frustração com Giroto, ele e a esposa teriam iniciado conversas com o PT, para onde Sudalene migrou, segundo ele, para entrar na corrente ‘Movimento PT’. “Fui convidada pelo senador Delcídio do Amaral, estudei o estatuto do partido, e decidi que era o melhor para mim”, falou a advogada em entrevista a uma rádio de Ponta Porã ainda em dezembro de 2011.

Logo após entrar no partido, Sudalene se apresentou como pré-candidata a prefeita pelo Partido dos Trabalhadores e essa intenção teria causado um racha no diretório municipal que é citado nos rumores na cidade como pano de fundo para crimes de pistolagem como o assassinato de Paulo Rocaro.

“Eu pertenço ao grupo Movimento PT e aguardo a posição do partido, porém estou à disposição. Mas, com relação aos boatos, tenho certeza de que têm motivação política. Como sou pré-candidata, estão querendo me prejudicar para eu desistir”, conta Sudalene.

“A informação que eu tenho é de que estão decididos a manchar minhas mãos com o sangue do Paulo Rocaro. Ouvi que estariam já articulando isso aí, mas eu falo abertamente porque não tenho nada a esconder”, complementa Cláudio.

“Refém do Medo”

Sobre o medo que tem de morrer, o presidente do PC do B diz que identifica dois motivos para temer. “Eu tenho medo de morrer, veja só, por dois motivos. O primeiro, é porque eu participo da política. E eu mergulhei de cabeça. Então, quando você mergulha de cabeça num processo político desse, você acaba atrapalhando algumas pessoas”, explica.

“Eu acredito que hoje eu fortaleci um lado na política de Ponta Porã. E enfraqueci um outro lado... Então, eu temo a minha morte, eu temo morrer na fronteira, para que esse lado fique mais forte”, analisa.

Além da motivação política, Cláudio diz que teme pela vida após ser envolvido nas investigações sobre o desaparecimento de Daniel Alvarez Georges, que sumiu em maio do ano passado, meses após deixar a prisão em São Paulo. Meia-Água nega que tenha sido a última pessoa a ser vista com Daniel.

O deputado federal Edson Giroto (PMDB-MS) foi procurado para falar sobre as reclamações de Cláudio, mas informou por intermédio da assessoria de imprensa que não se manifestaria. “O deputado não fala com o Midiamax em virtude da linha editorial do site, que produz matérias na tentativa de afetar a sua imagem pública”, comunicou oficialmente o gabinete.

Já a assessoria do governador André Puccinelli (PMDB-MS) informou que não tem nada a declarar sobre a afirmação de Claudinho. “Todos os serviços prestados para a campanha foram 100% apresentados, pagos, e devidamente comprovados. As contas eleitorais foram aprovadas”.

No gabinete de Delcídio do Amaral (PT-MS), a informação é de que o senador acompanha as conversas internas do partido em Ponta Porã como faz em todos os diretórios municipais. “Para o senador tanto faz quem será o candidato, desde que saia de um consenso, fortalecido. Essa escolha é um processo local”, afirmou a assessoria.

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