sábado, 18 de julho de 2026
MEIO AMBIENTE

Maior águia do planeta quase extinta tem mistério revelado

Cientistas localizam ninho de casal de harpias em Corumbá (MS) após mais de uma década de buscas, um marco para a pesquisa e conservação da espécie no Pantanal.

03 setembro 2025 - 14h00Por G1-MS

A descoberta do ninho de um casal de harpias (Harpia-harpyja), também conhecidas como gaviões-reais, em Corumbá (MS), no coração do Pantanal, após mais de uma década de buscas, marca um avanço crucial para a pesquisa científica e a conservação da espécie em 2025. Veja ao vídeo acima.

A confirmação é fundamental para entender melhor o comportamento da ave e fortalecer as iniciativas de proteção contra a extinção.

Como o mistério do ninho da harpia foi revelado no Pantanal

Especialistas retornaram a Corumbá (MS) em julho de 2025 para uma expedição focada na localização de ninhos de harpias durante o período reprodutivo da ave. A busca ocorria 13 anos após o primeiro registro da espécie na região, em 2012.

O biólogo e fotógrafo Gabriel Oliveira de Freitas, que atua na região do Maciço do Urucum, explicou que um possível ninho foi avistado em 11 de julho.

A confirmação veio no dia seguinte, 12 de julho, quando o casal foi observado trazendo ramos para reformar o ninho, indicando a preparação para o período reprodutivo. Essa descoberta histórica é um passo fundamental para os pesquisadores, que ainda não sabiam quantos indivíduos vivem no local.

“Amanhecemos o dia na frente do ninho. Por volta das 8h da manhã o casal chegou trazendo mais ramos para reformar o ninho se preparando para o período reprodutivo” , explicou Gabriel.

Características e o ciclo de vida da harpia, a maior águia do planeta

A harpia é uma das maiores aves de rapina do mundo. Pode atingir 2,20 metros de envergadura, que é a distância de uma ponta da asa à outra. Suas garras estão entre as mais poderosas das aves de rapina.

Conhecida por ser uma espécie reclusa, a harpia prefere matas fechadas e evita áreas abertas, o que torna sua observação na natureza rara e desafiadora. No Maciço do Urucum, seu comportamento é pouco conhecido, diferenciando este estudo de outros realizados, principalmente, na região Amazônica, onde a estrutura florestal é diferente.

O ciclo de reprodução da harpia é lento. Ela costuma pôr dois ovos por vez, mas geralmente apenas um filhote sobrevive. A incubação dura cerca de 56 dias, e o filhote depende dos pais por até dois anos. Devido a esse longo investimento, a espécie se reproduz apenas a cada três anos.

Os ninhos são construídos no alto de árvores robustas e em locais de difícil acesso. Embora busquem árvores gigantes, com mais de 40 metros de altura, em Corumbá o ninho foi encontrado em uma árvore mais baixa que as observadas na Amazônia e Mata Atlântica, mas em uma área ainda de difícil acesso. Os ninhos são grandes plataformas de galhos, revestidas com vegetação macia para abrigar os filhotes.

Para caçar, a harpia utiliza uma estratégia aguçada de espera: permanece imóvel em locais estratégicos por longos períodos, aguardando o momento certo para atacar suas presas. A ave também voa com agilidade entre os galhos das árvores para perseguir.

A importância da harpia para o ecossistema e sua conservação

A harpia é classificada como "quase ameaçada" de extinção na lista nacional do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). No entanto, na lista estadual de Mato Grosso do Sul, é considerada "ameaçada". O número de registros da espécie tem diminuído em todo o país.

As principais ameaças à sua sobrevivência são a perda de habitat, causada pelo desmatamento e expansão de atividades humanas, além da caça ilegal.

A presença da harpia em uma área é um indicativo de que o ecossistema está saudável. Por necessitar de florestas contínuas e extensas — com territórios que variam de 20 a 35 km² por casal —, a harpia é considerada uma espécie-bandeira na conservação das matas tropicais. Como predadora, ela ajuda a controlar a população de mamíferos que vivem nas árvores, mantendo o equilíbrio do ambiente.

A confirmação da presença constante do casal de harpias e a descoberta de seu ninho fortalecem o monitoramento científico e as iniciativas de conservação da espécie no Pantanal.

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