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Após agressão e coma, jovem volta a estudar

Após agressão e coma, jovem volta a estudar

21 maio 2012 - 15h40
G1 MS


O estudante Clayton Jonas Torres de Freitas, de 21 anos, olha cadernos da época em que fazia o 1º ano da faculdade de ciências contábeis, em 2009, e não reconhece a própria letra. Vítima de agressão em abril daquele ano, ficou 62 dias em coma e ainda passa por um processo gradativo de recuperação. Há um ano e meio voltou a falar e se movimentar parcialmente sem auxílio. Incentivado pela mãe, está estudando e frequenta uma sala de aula de Educação de Jovens e Adultos (EJA), em Campo Grande.

O cantor Pedro, da dupla com Thiago, deve passar por um processo de recuperação assim como Clayton. Após um mês em coma em decorrência de um acidente de carro em Goiás, o filho de Leonardo acordou neste domingo. Nesta segunda (21), sorriu ao saber que a filha pequena começou a andar e até brincou com os médicos. Ainda não se sabe se ele terá sequelas.

O estudante Clayton Freitas está em uma cadeira de rodas e passa parte do tempo no quintal de casa, no Portal Caiobá II, em Campo Grande. O dia é ocupado com sessões de fisioterapia na barra de exercícios e na bicicleta. Desde janeiro de 2012, acompanhado da mãe, a diarista Elena Brites Torres, de 47 anos, vai até a escola, que fica na região central da cidade. São dois ônibus, diariamente, até a instituição.

Ele pouco se recorda do que viveu antes da agressão. “Eu não me lembro” é uma das frases recorrentes de Clayton e se aplica ao dia 13 de fevereiro de 2009, data da agressão. O rapaz estava em uma loja de conveniência no Jardim Canguru, em Campo Grande, quando foi agredido por três jovens, sendo dois de 18 anos e um adolescente de 14.

Segundo investigação da Polícia Civil, o espancamento pode ter sido motivado por inveja: Clayton era estagiário de um banco e havia sido aprovado no vestibular. Os três jovens moravam no mesmo bairro de Clayton e viam o desenvolvimento do rapaz.

Um dos agressores estava armado, tentou atirar e não conseguiu. A coronha do revólver foi usada para bater em Clayton, que ainda levou chutes e socos, principalmente na cabeça. Ele foi internado em coma na Santa Casa de Campo Grande.

Os dois jovens de 18 anos foram acusados por tentativa de homicídio e condenados a uma pena de 9 anos de reclusão. O adolescente foi apreendido e está em uma Unidade Educacional de Internação (Unei).
“Ninguém achou que ele ia sobreviver”, lembra Elena. Clayton ficou em coma até abril de 2009 e, quando acordou, não esboçou reação. “Não falou nada. Foram meses deitado, sem piscar os olhos”, conta Elena.

Na época, ela e os dois filhos saíram da casa no Jardim Canguru e se mudaram para o bairro Portal Caiobá II, longe de onde aconteceu a agressão. “Não dava para ficar lá”, diz. Elena teve de deixar de fazer faxinas diárias e passou a cuidar exclusivamente do filho. O rapaz era submetido a fisioterapia para evitar atrofia dos músculos e até colírio era necessário para lubrificar os olhos, já que não fazia qualquer movimento. A renda familiar vem da aposentadoria por invalidez do SUS e o serviço que a mãe dele mantém aos sábados.

Em outubro de 2010, aconteceu o “segundo renascimento”, como diz Elena. Um dia ele acordou e pareceu reconhecer o local. “Ele fixou o olhar, balançou a cabeça, começou a chorar, parecia desesperado e começou a gritar.” A mãe contou a ele tudo o que tinha acontecido.
A partir de então, durante dois meses, o jovem passou cerca de três horas por dia aos gritos. “Parecia que sentia dor; eu tinha que dar calmante para ele conseguir dormir”, lembra a mãe.

O neurologista Pedro Smaniotto, um dos profissionais que atenderam Clayton, diz que a recuperação depende de cada paciente, sendo um processo gradativo de compensação do quadro neurológico. Ele não teve perda de massa encefálica ou hemorragia, mas sofreu uma lesão cerebral que levou ao coma. Em uma classificação de 15 a 3 sobre o quadro comatoso (sendo 15 normal e 3 em coma profundo), a do estudante era de 6 pontos.

Elena diz que não se desesperou com a situação, pois achou que isso podia indicar uma evolução. E foi o que aconteceu. Passada a fase dos gritos, a partir de outubro, Clayton recuperou força nos músculos dos braços e do tronco, passando a usar uma cadeira de rodas. A fala, ainda deficiente, já dava sinais de recuperação.

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