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Classe C vai às compras com renda do campo

03 dezembro 2011 - 20h19Por Estadão
Os bons ventos que sopram a favor de Ribeirão Preto têm levado a classe C a consumir mais do que nunca e a galgar novas posições na escala social. Iogurtes ocupam o interior das geladeiras e o chopinho deixou há muito tempo de ser opção apenas em ocasiões especiais. Para alguns, muito disso seria reflexo do agronegócio, que ajuda a impulsionar a economia local e de muitos municípios da região.

'Ribeirão Preto se desenvolveu muito nos últimos anos', diz o aposentado Sérgio Barretto, de 71 anos, que vive no Jardim Canadá com a família de seis pessoas. 'Acho que muito disso se deve ao agronegócio, que tem movimentado dinheiro na região.'

A opinião é compartilhada pelo supervisor comercial Fábio Chaves, que, ao lado da mulher, a advogada Taciana Rezende Prata, viu a renda familiar saltar mais de 100% nos últimos três anos. 'Ribeirão tem colhido os frutos da expansão da cana', diz.

O casal mora com as duas filhas - Maria Júlia, de 6 anos, e Maria Clara, de 4 anos - em um apartamento no Jardim Ana Maria e os melhores rendimentos vieram da evolução no consumo. 'Hoje compramos bem mais. Principalmente, produtos considerados supérfluos', conta a advogada, enquanto toma refrigerante com a família em uma tradicional choperia da cidade.

Apesar da fama da choperia, o que levou a família ao local foi a proximidade com sua moradia. 'É mais cômodo consumir perto de casa', diz o marido, que garante frequentar também os supermercados da vizinhança.

'Principalmente nos fins de semana vejo pessoas de cidades da região e que vivem da cana vindo aqui, para fazer compras', conta. Ele trabalha em uma rede de ensino, onde diz sentir também o momento favorável da economia regional. 'Hoje, além da mensalidade escolar, conseguimos agregar outros serviços. O pai também compra para o aluno da escola produtos como aulas de inglês ou caratê.'

Disney. O comerciante Cássio Ronaldo de Morais, de 51 anos, é outro que diz ter sentido a evolução econômica. Antes morador no bairro Santa Cruz, região bem popular, hoje reside na Ribeirânea, área mais nobre onde os imóveis costumam ser construídos em terrenos de 400 metros quadrados. Mas essa melhora de vida ele garante que não é exclusividade sua. 'No supermercado vejo as pessoas de classe média baixa comprando azeites e queijos nobres com frequência, coisa bastante incomum até anos atrás.'

Com problema de nível elevado de açúcar no sangue, ele explica que antes tinha dificuldades para adquirir produtos do tipo diet, como iogurtes e leites especiais. 'Hoje vou ao supermercado e já posso comprar sem medo de não caber no meu bolso', diz Morais, que este ano planeja levar o filho de 15 anos e a mulher para a Disney.

Morais é dono do 'Trem Caipira', um minúsculo bar com uma enorme clientela que, por falta de espaço, tem mesas no lado externo. Ele conta que em seu negócio ficou claro que as pessoas estão com mais dinheiro para gastar. No local, a fiscalização obrigou a retirada de mesas da rua, reduzindo o número de clientes pela metade.

'Quando isso aconteceu, resolvi incrementar os serviços criando novas opções no cardápio e o resultado foi imediato. Mesmo com um movimento menor de pessoas, mantive o faturamento inalterado, uma vez que todos passaram a gastar bem mais.'

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