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PONTA PORÃ

Caminhonetes são encontradas incendiadas no lado brasileiro da Fronteira

19 janeiro 2020 - 15h00Por Campo Grande News

Três caminhonetes incendiadas foram encontradas pela polícia brasileira no distrito de Sanga Puitã, na BR-463, rodovia que liga Ponta Porã a Dourados. Conforme apurou o Campo Grande News, a polícia acredita que os veículos foram utilizados para a fuga em massa de 75 presos do Presídio de Pedro Juan Caballero, na linha fronteira, neste domingo (19).

O número foi confirmado pela fiscal Reinalda Palacios, conforme o jornal paraguaio ABC Color, mas, inicialmente, as autoridades acreditavam que 91 presos haviam escapado. Eles escavaram túnel de uma das celas do pavilhão B, onde ficam os presos da facção criminosa PCC.

O secretário de Segurança de Mato Grosso do Sul, Antônio Carlos Videira, diz que foi comunicado ainda na madrugada sobre a fuga no Paraguai. “Imediatamente convocamos todas as policiais da região, Civil, Militar, DOF, Polícia Rodoviária Estadual. Também convocamos os policiais de folga. Assim que o dia clareou, até nosso helicóptero foi para lá”, detalha.

Segundo ele, as equipes estão mobilizadas em Ponta Porã e adjacências, para fechar a fronteira e capturar os foragidos. O passo primordial agora, na avaliação de Videira, é conseguir com as autoridades paraguaias a identificação dos homens que fugiram, para facilitar a fiscalização. Já se sabe que há “vários brasileiros” no grupo, diz o secretário, mas ainda sem número exato.

“A preocupação é grande, porque já vivemos em um clima violento naquela região. São cidades com alto índice de homicídios em 2019”, comenta o secretário sobre a realidade na fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai.

A Polícia Civil mobiliza homens descaracterizados do SIG (Setor de Investigações Gerais) nas ruas de Ponta Porã e a perícia está no local onde as caminhonetes foram encontradas.

Segundo dados do governo paraguaio, cerca de 600 detentos integram as duas das maiores organizações criminosas brasileiras, PCC e Comando Vermelho.

Em setembro do ano passado, o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, demitiu o ministro da Justiça, Julio Rios, e o comandante da Polícia Nacional, Walter Vázquez, após a fuga do narcotraficante Teófilo Samudio, o Samura, líder da facção carioca Comando Vermelho, rival do PCC.

Na época, dois agentes penitenciários foram presos por facilitarem a fuga.

Entenda - Desta vez, os presos, segundo o jornal paraguaio ABC Color, escavaram túnel e conseguiram, praticamente, esvaziar o pavilhão B, destinado aos presos da facção criminosa. Apenas 1 dos presos teve a fuga frustrada. O jornal destaca que diversos sacos contendo areia do túnel cavado estavam empilhados na cela em questão, indício, afirma, de que a fuga mobilizou diversos presos da facção. Mas apesar da quantidade de terra à vista, o plano não foi descoberto pelos agentes penitenciários.

Ainda conforme o ABC, a distância entre o túnel e a guarita mais próxima é de apenas 25 metros, “onde deveria estar ao menos um guarda de cela”. Além dessa guarita, a próxima se distancia, aproximadamente, 70 metros do túnel.

Ajuda - Na manhã deste domingo, a ministra da Justiça paraguaia Cecilia Pérez declarou que é "categórico" que houve corrupção para permitir a fuga dos presos. Conforme o ABC, a ministra adiantou que os responsáveis pela penitenciária foram removidos do cargo.

Segundo a ministra, "ninguém percebeu" a construção do túnel para a fuga, mas "é impossível" que os sacos de areia tenham passado despercebidos.

Cecilia Pérez já havia declarado que as autoridades detectaram um plano de fuga de presos membros do PCC. Segundo as investigações, a organização oferecia cerca de 80 mil dólares para carcereiros ou policiais que facilitassem a fuga. Com a informação, a ministra declarou que as autoridades estavam “reforçando a cobertura policial e militar” no Presídio de Pedro Juan.

Guerra aberta - O fim de semana está movimentado na região. A guerra declarada na fronteira pela liderança no tráfico de drogas tem episódios de violência diários entre as cidades gêmeras Ponta Porã e Pedro Juan, mas também em diversas cidades próximas, do lado paraguaio.

O ex-prefeito de Bella Vista Norte, no Paraguai, Júlio César Rojas Vadora, de 54 anos, foi executado a tiros no final da tarde deste sábado (18). O chefe local do Senepa (Serviço Nacional de Erradicação da Malária) e amigo do político, Alejandro Malvertti Delgado, também morreu no local.

Os criminosos utilizaram submetralhadora para a execução enquanto os dois assistiam a uma partida de futebol na arquibancada do estádio Ybytyruzu Sports Center. Júlio César já havia sido governador interino de Amambay, cuja capital é Pedro Juan Caballero.

Além disso, a Polícia Nacional do Paraguai apreendeu 300 quilos de cocaína durante operação realizada na manhã de sábado em Pedro Juan. A droga era transportada no avião Cessna 210, utilizado pelos narcotraficantes.

 

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